Inspeção de Atividades Económicas investiga alegadas práticas ilegais com vinho
4 de jan. de 2019, 19:57
— Lusa/AO online
Paulo
Machado referiu estarem em causa importações de vinho do continente e
de outros países europeus, a granel, engarrafado na região e
“eventualmente a usar no rótulo” a Denominação de Origem Protegida (DOP)
de produto regional ou de Identificação Geográfica Protegida (IGP)
Açores.A
região possui 37 vinhos certificados, 14 produtores, três castas nobres e
três regiões demarcadas: Biscoitos, na ilha Terceira; Graciosa e Pico.O
presidente da IAEA afirmou que se nos rótulos destes vinhos importados
forem usadas palavras que “estão protegidas” - como Açores, Biscoitos ou
Pico, por exemplo – pode ser iniciado um processo-crime por “usurpação
de direito de marca”.“Neste
momento, foi instaurado um processo de averiguação, indo-se verificar o
que existe. Se efetivamente houver matéria para crime, serão
instaurados os respetivos processos”, frisou o responsável.Paulo
Machado adiantou que chegaram ao organismo queixas de que este tipo de
vinho está a ser comercializado em supermercados e restaurantes, o que
será uma “ação enganosa perante o consumidor”.Os
vinhos dos Açores, de forma particular os brancos da ilha do Pico, têm
vindo a registar uma grande procura no mercado, atingindo preços acima
da média e levando à definição de maiores áreas de produção, para fazer
face às necessidades internas e externas.O
Governo dos Açores estima que, no âmbito do Programa de Apoio à
Reconversão e Reestruturação da Vinha (VITIS), a região alcance este ano
a meta de 1.000 hectares de área de vinha apta para a produção de vinho
certificado.O
executivo tem em curso um projeto de recuperação de castas tradicionais
de uvas que estavam em risco de extinção e criou campos de
experimentação em três das nove ilhas do arquipélago.Verdelho,
Arinto dos Açores e Terrantez do Pico são as três castas açorianas que
há mais de dez anos estão a ser alvo de estudos e análises, com o
intuito de preservá-las e melhorar o recurso genético, de modo a
aumentar também a produtividade dos vitivinicultores.Nos
Açores existe a Comissão Vitivinícola Regional, com sede na Madalena,
ilha do Pico, que visa “garantir a genuinidade e a qualidade dos vinhos,
o fomento e o controle dos vinhos, a definição do seu processo
produtivo e a promoção e defesa interna e externa dos vinhos
certificados”.