Inspeção Administrativa dos Açores regista apenas casos de "pequena corrupção"
9 de dez. de 2021, 15:35
— Lusa/AO Online
“A nível da administração pública regional não
podemos falar em grande corrupção, mas sim na pequena corrupção, que
eventualmente poderá acontecer dentro dos trabalhadores, dos próprios
dirigentes e das chefias intermédias”, disse, em declarações aos
jornalistas, o responsável da Inspeção Regional Administrativa e da
Transparência, Francisco Lima, em Angra do Heroísmo, à margem da
primeira conferência regional sobre “A Prevenção da Corrupção e a
Transparência”.A iniciativa foi a primeira
ação do recém-criado Gabinete de Prevenção da Corrupção e Transparência
da região, associado à Inspeção Regional Administrativa e da
Transparência.Questionado sobre o
diagnóstico dos casos de corrupção nos Açores, Francisco Lima disse que
“o gabinete ainda não fez qualquer estudo”, mas admitiu que houve um
aumento de denúncias na inspeção.“Tivemos
um pico no aumento das denúncias, a que temos vindo a dar resposta
dentro da capacidade que a própria inspeção tem e tem-se promovido os
inquéritos necessários e as ações extraordinárias necessárias para
colmatar e responder a essas denúncias”, afirmou.Ainda
assim, disse que não estão em causa situações de “grande corrupção”,
mas antes "pequena corrupção", que “pode estar ligada ao favor que se
presta, à forma que se encontra de ultrapassar determinados mecanismos
legais para promover um processo de despesa ou para contratação
pública”.Segundo o inspetor, o combate a
este tipo de corrupção passa por um aumento da consciencialização de
dirigentes e funcionários públicos.“A
prevenção é sempre feita pela sensibilização para a temática. Muitas
vezes acontece que os próprios trabalhadores, os próprios dirigentes,
não têm noção do que possa ser a pequena corrupção. É este o âmbito
principal do gabinete, de forma a promover uma administração pública
mais íntegra, com maior ética e com maior serviço de responsabilidade
para com o cidadão”, salientou.Francisco
Lima disse que o novo gabinete pretende “promover a atualização dos
planos de prevenção da corrupção” e introduzir algum dinamismo “para que
os planos das próprias organizações sejam conhecidos pelos
trabalhadores, pelas chefias intermédias e também pelas próprias chefias
de topo”.“Pretendemos fazer uma mudança
de mentalidades, mas sempre conscientes de que as mudanças de
mentalidades levam um tempo necessário e não são atingidas de forma
imediata”, sublinhou.