INSA pretende realizar no início do ano novo inquérito serológico nacional
Covid-19
4 de dez. de 2020, 12:06
— Lusa/AO Online
O
inquérito que o INSA realizou em junho revelou uma seroprevalência
global de 2,9% de infeção pelo novo coronavírus, que provoca a doença
covid-19, na população residente em Portugal.“Até
agora deve ter efetivamente aumentado o número de indivíduos imunes e o
valor de 3% que tivemos na altura não seja o real agora”, disse
Baltazar Nunes na reunião que decorreu no Infarmed
(Lisboa) onde peritos e políticos analisaram as medidas tomadas para
combater a covid-19 e a evolução da doença no país.
O novo inquérito sorológico nacional deverá arrancar em janeiro ou
fevereiro para “ter uma nova perspetiva pré-vacinação de qual será a
imunidade da população, e será um ponto relevante a ter em conta”, disse
o especialista em resposta ao Presidente da República, Marcelo Rebelo
de Sousa.A questão foi levantada pelo
chefe de Estado na sequência de dados apresentados pelo epidemiologista
Henrique Barros, do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto,
que estimou que cerca de um milhão de pessoas em Portugal já esteve em
contacto com o vírus e estarão eventualmente imunes.“O
professor Henrique Barros apontou números na ordem de mais de 10%,
entre 10 e 20% de imunizados em Portugal. Há outros estudos nomeadamente
um painel sorológico nacional que apontam para muito menos, para 4%,
5%, portanto, temos aqui uma dúvida”, afirmou.Marcelo
Rebelo de Sousa considerou ainda que os estudos de Henrique Barros “são
muito norte, muito específicos em determinado tipo de população”,
referindo ser “relevante saber qual o grau de imunidade da população
portuguesa”.“Senhor presidente obrigada
pelas questões interessantíssimas, mas deixe-me dizer-lhe. Embora isto
possa parecer excessivo, costumo ter uma enorme confiança naquilo que
fazemos como previsões e desta vez também”, respondeu Henrique Barros.
“Nós conseguimos chegar a valores ainda mais precisos introduzindo uma
variável simples, que é a sensibilidade e especificidade dos testes”,
sublinhou o epidemiologista. “A segunda
onda é manifestamente muito superior à primeira” e os dados mostram que
“há uma certa constância na relação entre número de casos detetados e
número de pessoas que têm evidência imunológica da infeção”, sustentou,
defendendo ser “fundamental” que o INSA realize “um grande inquérito
epidemiológico nacional”.A última questão
de Marcelo Rebelo de Sousa foi dirigida à diretora da Escola Nacional de
Saúde Pública, Carla Nunes, que apresentou um estudo sobre a vacina
contra a Covid-19.“A professora Carla
Nunes apontou aqui uma série de fatores de desconfiança ou reticências
da população portuguesa em relação à vacinação, mas há um indicador
prévio também relevante que é o indicador da subida ao longo das últimas
semanas e meses da confiança na vacina, começa muito baixo e vai
subindo, nomeadamente nas últimas semanas”, observou.O
chefe de Estado questionou se “não pode acontecer um bocadinho o que
aconteceu, por exemplo, com a vacinação contra a gripe (…)em que havia
uma tradição de reticência na população portuguesa em geral (…) e acabou
num protesto generalizado pela insuficiência do número de vacinas,
porque a população esperada era muito inferior à população que
aparentemente manifestava a sua vontade de se vacinar”.Carla
Nunes disse que se tem observado uma evolução ao longo do tempo do
número de pessoas que se manifestam confiantes na vacina contra a
covid-19 e que apenas 7% recusa vacinar-se.
“Portugal tem uma adesão à vacinação muito elevada em todas as
vacinas, mesmo na vacina da gripe comparativamente a outros países, este
ano ainda foi mais elevada, o que nos leva a crer que realmente a covid
tem um impacto tão maior na vida das pessoas, que realmente eu penso
que não vai ter problema nenhum”, defendeu Carla Nunes.