Inquérito revela que quase 90% dos professores quer reformar-se mais cedo
9 de dez. de 2020, 13:02
— Lusa/AO Online
Estas são algumas das
conclusões do inquérito ‘online’ realizado pela Federação Nacional dos
Professores (Fenprof) ao qual responderam 5.218 educadores e professores
do ensino obrigatório de todo o país.Estes
docentes também se pronunciaram sobre o protesto agendado para
sexta-feira e a sua posição é clara: 88,3% defendem que é preciso
continuar a lutar, segundo os resultados da “Consulta aos professores e
educadores em tempo de Covid-19” hoje divulgados.À
pergunta sobre o que fariam se houvesse um regime de
pré-reforma, apenas 10,9% diz que não pensa nisso e que só deixará de
exercer quando reunir os requisitos legais em vigor.Todos
os outros acreditam que aproveitavam o regime de pré-reforma para
abandonar mais cedo a profissão: 54% diz que sai “se as condições
permitirem uma aposentação sem qualquer corte” e 35,1% admite que
aproveitava “se as condições não forem muito penalizadoras”.Os
professores constituem uma classe envelhecida, já que a maioria dos
docentes das escolas portuguesas tem mais de 50 anos, sendo pouco mais
de 1% os que têm menos de 35 anos.Por
isso, quase todos (98,2%) consideram que é urgente criar um regime
específico que permita a aposentação mais cedo. Apenas 1,4% entende que o
tempo de serviço e a idade são os adequados e 0,4% garante que não se
importa “se tiver de ficar ainda mais alguns anos ao serviço do que os
atualmente fixados”.Outro dos problemas
identificados no inquérito está relacionado com os horários de trabalho,
que os professores dizem estar “desajustados”.A
grande maioria garantiu estar a trabalhar mais do que as 35 horas
semanais definidas por lei, com apenas um em cada 10 professores a
considerar que os horários são “adequados à atividade docente”.Também
no que toca à carreira docente, há quase unanimidade (96,9%) em
considerar que existem problemas por resolver, tais como o tempo de
serviço que esteve congelado e não conseguiram recuperar ou as vagas.A
carreira docente é composta por 10 escalões, sendo que existem vagas
para aceder ao 5.º e 7.º escalões. Para a grande maioria dos professores
(87,1%), o regime de vagas deveria ser eliminado.Os
concursos de professores foram outro dos temas abordados, com os
inquiridos a defender que se deve manter o modelo atual: concursos de
caráter nacional em que a seleção é feita pela graduação profissional
dos candidatos.Os docentes são contra a ideia de serem os diretores a selecionar os professores (apenas 2,6% concorda com este modelo).Outra
das medidas contestadas é a transferência de competências para os
municípios, por temerem que abra “a porta à ingerência na vida das
escolas, à privatização e provocará ainda maiores assimetrias”.A
Fenprof lembra, em comunicado, que estas são apenas algumas das
reivindicações que levam os docentes a fazer uma greve nacional em 11 de
dezembro.“Face ao bloqueio negocial
imposto pelo Ministério da Educação, torna-se necessário que a luta
prossiga sem adiamentos. Essa é a opinião de 88,3% dos milhares de
docentes que participaram na consulta”, revela a Fenprof.A
federação aponta alguns dos problemas que gostaria de discutir com a
tutela como “o envelhecimento, a sobrecarga de horário e de trabalho e o
desgaste daí resultante, a precariedade ou todas as injustiças que
marcam o atual estado da carreira docente”.O
inquérito feito aos docentes no mês passado mostrou ainda que os
professores estão preocupados com a insuficiente segurança sanitária que
sentem existir nas escolas, “principalmente pelo facto de continuarem a
não ser feitos testes” ou por não ser garantido em todas as escolas o
distanciamento físico de dois metros entre as pessoas.