Inquérito para estimar incidência da infeção na população arrancou hoje
Covid-19
25 de mai. de 2020, 12:30
— Lusa/AO Online
Este
inquérito de base populacional, que prevê a realização de cinco estudos
epidemiológicos transversais, visa avaliar a presença de anticorpos
contra o novo coronavírus (SARS-CoV-2) responsável pela Covid-19 na
população residente em Portugal e monitorizar a sua evolução ao longo
tempo.Em declarações à agência Lusa, a
coordenadora do inquérito, Ana Paula Rodrigues, afirmou que “o trabalho
de campo arranca hoje oficialmente” em todo o país e tem a duração de
três semanas.Para a sua concretização,
serão selecionadas 1.720 pessoas com 10 ou mais anos e 352 crianças até
aos nove anos que recorram a um dos cerca de 100 laboratórios ou
hospitais do Serviço Nacional de Saúde parceiros para a realização de
análises laboratoriais de rotina.Ana Paula
Rodrigues, do Departamento de Epidemiologia do INSA, adiantou que será
feita “uma monitorização muito apertada deste trabalho”, contabilizando
diariamente quanto participantes já foram selecionados para fazer
“alguns ajustes ao trabalho de campo” de maneira a que seja concluído no
prazo previsto.O inquérito tem como
principal objetivo “estimar a taxa de incidência da infeção na população
na população residente em Portugal”, sublinhou. “Pretendemos
depois ter esta estimativa por grupo etário, por região de saúde de
maneira a podermos compará-las entre si, e um outro objetivo que é
estimar a proporção das infeções que terão sido assintomáticas ou com
sintomas muito ligeiros, isto é, pessoas que tenham anticorpos contra o
novo coronavírus, mas que não tiveram sintomas nos dois meses
anteriores”, explicou.Segundo a
investigadora, a estratégia para seleção dos participantes já foi usada
em inquéritos serológicos anteriores, como o realizado “às doenças
evitáveis por vacinação”, em que as pessoas quando vão fazer análises ao
sangue de rotina aos seus laboratórios são convidadas a fazer a
colheita para participar neste estudo.“A
participação consiste em dar uma quantidade muito pequenina de sangue,
sem implicar uma picagem suplementar, e a resposta a um pequeno
questionário de saúde para referir se a pessoa teve sintomatologia
sugestiva da doença nos dois meses anteriores”, adiantou.Os
resultados deste primeiro estudo, que se constitui também como o estudo
piloto deste inquérito serológico desenvolvido pelos departamentos de
Epidemiologia e de Doenças Infeciosas do INSA, deverão ser tornados
públicos ainda durante o mês de julho.Segundo
o INSA, os estudos transversais subsequentes serão realizados cerca de
cinco meses após o primeiro estudo e posteriormente de três em três
meses até um ano (total de quatro estudos), podendo estes trabalhos de
investigação ser ajustados de acordo com o curso da epidemia de modo a
responder às necessidades de informação de cada momento.A
informação e as amostras recolhidas serão codificadas no momento da
recolha de modo a que os dados partilhados e divulgados não permitam a
identificação individual do participante. A
participação no inquérito não terá qualquer custo para os
participantes, que poderão ter acesso aos seus resultados caso assim o
entendam, refere o INSA, que irá processar todas as amostras.