Inquérito do Ministério revelou 38 queixas de assédio sexual nas universidades
27 de abr. de 2023, 16:51
— Lusa
O
balanço foi feito pelas próprias instituições, no âmbito de um inquérito
aberto pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior na
sequência da divulgação, há duas semanas, de várias notícias sobre casos
de assédio sexual e moral no Centro de Estudos Sociais da Universidade
de Coimbra.De acordo com Elvira Fortunato,
que está a ser ouvida pelo parlamento num debate em plenário sobre
política setorial, foram apresentadas, nos últimos cinco anos, 38
queixas de assédio sexual.Na sequência das
denúncias, foram instaurados 31 processos disciplinares, dos quais
quatro resultaram em sanções e os restantes foram arquivados ou estão
ainda em curso, precisou em resposta à deputada Sónia Ramos, do PSD.Perante
insistência da deputada Rita Matias, do Chega, sobre o mesmo tema, a
ministra disse não saber precisar que tipo de sanções foram aplicadas,
afirmando que podem ir desde suspensões a despedimentos.Além
das denúncias de assédio sexual, foram ainda recebidas 78 denúncias por
assédio moral, tendo sido instaurados 52 processos disciplinares, dos
quais resultaram cinco sanções disciplinares.De
acordo com Elvira Fortunato, o seu Ministério está, em colaboração com o
Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, a trabalhar
num plano de formação, sobre o qual não adiantou detalhes, com o
objetivo de prevenir as situações de assédio.“O
Governo está muito preocupado com esse assunto, mas temos que nos
basear nas evidências e nos números que temos”, disse a ministra,
ressalvando que esses números devem ser ainda menores, “porque basta ter
um caso para nos preocupar”.A propósito
do inquérito conduzido junto das universidades e politécnicos, a
governante disse ainda que a maioria adotou códigos de conduta (81% das
universidades, 65% dos institutos politécnicos e 87% das instituições
privadas).Por outro lado, 70% das
universidades públicas têm canais de denúncia, replicados em 68% dos
politécnicos e 95% das instituições privadas.Durante
o debate, Elvira Fortunato insistiu também que as instituições de
ensino superior têm autonomia, no âmbito do regime jurídico, e que essa
deve ser respeitada.“As instituições têm
competência disciplinar e, face à sua autonomia, podem atuar. Já houve
sanções, o que mostra que o sistema está a funcionar”, afirmou,
admitindo, ainda assim, que “pode não estar ainda a funcionar a 100%”.