Inquérito da Deco aponta medo de espaços públicos e cancelamentos de férias
Covid-19
29 de jul. de 2020, 11:27
— Lusa/AO Online
Segundo o inquérito da associação de defesa do
consumidor, realizado entre 16 e 20 de julho, apesar da reabertura da
maioria dos serviços e do regresso ao trabalho para uma parte da
população, os inquiridos continuam a manifestar receio de voltar às
rotinas anteriores ao início da crise provocada pelo novo coronavírus. Mais
de três quartos dos 1006 inquiridos ‘online’, entre os 18 e 74 anos,
declaram que evitaram ou deixaram mesmo de frequentar os espaços
públicos, como restaurantes, transportes públicos ou centros comerciais,
enquanto mais de metade cancelou ou adiou as férias e perto de metade
adiou projetos inicialmente agendados para este ano, como, por exemplo,
comprar casa ou um carro novo.Por outro
lado, sete em cada dez inquiridos relatam o adiamento de, pelo menos, um
serviço de saúde agendado e 22% referiram que foram cancelados desde o
início da pandemia. "É urgente que as
unidades de saúde reagendem essas consultas, exames de diagnóstico e
cirurgias adiadas ou canceladas ao longo dos últimos meses, sob pena de
vermos aumentar a taxa de mortalidade e de morbilidades por falta de
acompanhamento de todos os doentes “não-covid”", conclui a Deco, na
análise do inquérito.Segundo a Deco, estes
são alguns dos danos colaterais da covid-19 que levam a prever
consequências graves para o futuro próximo, com um aumento da taxa de
mortalidade e de morbilidades na população portuguesa.O
inquérito evidencia que os supermercados foram os estabelecimentos
comerciais que menos sofreram uma quebra na procura, o que, para a Deco,
mostra que os portugueses "afluíram sobretudo aos serviços de primeira
necessidade". Simultaneamente, para as deslocações, os inquiridos disseram procurar usar mais veículos privados, como o carro ou motorizada.O
estudo mostra também que medo de infeção levou os inquiridos a evitar
determinados serviços, nomeadamente os transportes públicos: três
quartos das respostas classificaram-nos como pouco seguros quanto ao
risco de contágio. Mais de metade dos
inquiridos manifestou o mesmo sentimento relativamente aos centros
desportivos, às lojas, aos restaurantes e aos eventos culturais. O
estudo denota que 43% dos inquiridos adiaram pelo menos um dos
investimentos previstos e já não tencionam fazê-lo até ao fim deste ano.
Em contrapartida, 43% adiaram pelo menos um deles, mas alegam pretender
fazê-lo ainda este ano.No que toca às
férias, mais de metade dos inquiridos indicaram que vão gastar menos do
que previsto e cerca de um em cada cinco afirmam que vão ficar em casa. A
mesma percentagem afirma que não vai gastar dinheiro com o programa de
férias e 48% vão optar por fazer férias em Portugal e apenas 20% farão
no estrangeiro. Também relacionada com o
turismo, mais de três quartos dos inquiridos consideram que as viagens
de avião, de autocarro ou de comboio representam um risco elevado de
contágio e mais de metade não têm confiança nas medidas de segurança nos
hotéis e alojamentos de férias. No total, 68% dos inquiridos referem que a crise da pandemia de covid-19 afetou as suas férias de verão.