Injeção de capital no Novo Banco terá impacto orçamental máximo de 200 ME
OE2021
13 de out. de 2020, 11:12
— Lusa/AO Online
"Pode ter no próximo ano uma previsão de
impacto nas contas [públicas] de cerca de 200 milhões de euros. Ainda
não é certo que essa operação se materialize, é o máximo que pode vir a
atingir", afirmou João Leão na conferência de imprensa de apresentação
da proposta orçamental para o próximo ano, em Lisboa. O
governante reiterou que na proposta orçamental para 2021 não está
previsto qualquer empréstimo do Tesouro público ao Fundo de Resolução
(ao contrário do que aconteceu nos últimos anos) para que este possa
recapitalizar o Novo Banco e que há disponibilidade de bancos comerciais
para emprestarem 275 milhões de euros ao Fundo de Resolução, a que este
somará as suas receitas (que advêm sobretudo de contribuição do setor
bancário) para chegar ao valor necessário para recapitalizar o Novo
Banco.Contudo, tendo em conta que o Fundo
de Resolução conta para o perímetro orçamental, mesmo com empréstimo
bancário (e não do Tesouro), qualquer injeção de capital no Novo Banco
conta para o défice, tendo João Leão estimado, então, esse impacto no
máximo de 200 milhões de euros.Na
segunda-feira, o relatório que acompanhava a proposta orçamental,
entregue na Assembleia da República, previa um "empréstimo de
médio/longo prazo" ao Fundo de Resolução de 468,6 milhões de euros.A
inscrição deste valor causou perplexidade, uma vez que a injeção de
capital no Novo Banco foi um dos temas 'quentes' das negociações
orçamentais, depois da "linha vermelha" colocada pelo Bloco de Esquerda,
e depois de há duas semanas o Governo (através do secretário de Estado
dos Assuntos Parlamentares, Duarte Cordeiro) ter assumido "o compromisso
de procurar não considerar nenhum empréstimo público do Estado ao Fundo
de Resolução em 2021".Ao final da noite
de segunda-feira, em comunicado, o Ministério das Finanças esclareceu
que tal se tratou de um erro e que esse valor de empréstimo é para CP -
Comboios de Portugal.O Fundo de Resolução
bancário (entidade da esfera do Estado), além de ter 25% do Novo Banco, é
responsável pelas injeções de capital no banco, no âmbito do acordo
feito na venda de 75% da instituição financeira à Lone Star que prevê
que o fundo cubra perdas do banco com ativos ‘tóxicos' com que ficou do
BES até 3.890 milhões de euros. Até hoje,
já foram injetados 2.976 milhões de euros (dos quais 2.130 milhões de
euros vieram de empréstimos do Tesouro), pelo que – pelo contrato -
poderão ser transferidos mais 900 milhões de euros nos próximos anos.Apenas
referente ao primeiro semestre, o Novo Banco estimou a injeção de
capital que irá pedir ao Fundo de Resolução em 176 milhões de euros. Mas
o valor final só será definido quando este ano terminar e deverá ser
superior.Mesmo que o Estado não empreste
dinheiro ao Fundo de Resolução, qualquer injeção de capital deste no
Novo Banco contará para o défice, uma vez que esta entidade está dentro
do perímetro das administrações públicas.