Iniciativa de cidadãos pede esclarecimentos sobre dados pessoais no sistema Volta
Hoje 11:40
— Lusa/AO Online
“Em
muitos casos, o valor do depósito pode ser creditado em cartões de
fidelização ou contas de cliente de cadeias de distribuição. Nestas
situações, importa esclarecer em que medida os operadores podem associar
as devoluções à identidade do consumidor e cruzar essa informação com
os dados de compras anteriormente efetuadas”, apontou a CpC, no pedido
de esclarecimentos. Conforme referiu,
este cruzamento poderá permitir conhecer onde e quando uma determinada
embalagem foi comprada, onde foi devolvida, aferir padrões de consumo,
hábitos de deslocação ou percursos habituais. A iniciativa notou que esta informação é “potencialmente valiosa” para fins comerciais e de marketing.Desta
forma, os cidadãos questionam que categorias de dados pessoais são
recolhidos no processo de devolução, quem trata os dados, se é possível
associar a devolução ao histórico de compras do consumidor e relacionar
uma embalagem devolvida com o momento e local em que foi comprada. Por
outro lado, querem saber, entre outros pontos, se os operadores do
sistema ou as cadeias de distribuição podem determinar o tempo entre a
compra e devolução da embalagem, se o tratamento dos dados permite
inferir hábitos de consumo, se existem limites ao uso destes dados e se
os mesmos são transmitidos a fabricantes de bebidas, distribuidores ou
entidades gestoras do sistema e para que finalidade.A
CpC terminou o pedido de esclarecimentos afirmando que os objetivos
ambientais devem coexistir com “o respeito pelos princípios da
minimização dos dados, da limitação das finalidades, da transparência e
da proteção dos direitos fundamentais dos cidadãos”.O
sistema Volta permite reembolsar o valor de depósito (0,10 euros) pela
compra de embalagens de plástico, metal ou alumio abrangidas. Este
valor pode ser convertível em dinheiro, vale de compras, vale de
desconto, cartão de fidelização ou pode ainda ser doado a instituições.