Infeções respiratórias com aumento mas pouco impacto na mortalidade
Covid-19
11 de nov. de 2022, 17:16
— Lusa/AO Online
Na
sua intervenção na reunião de peritos para analisar a situação
epidemiológica da Covid-19 em Portugal, que decorreu no Infarmed, em
Lisboa, Pedro Pinto Leite reforçou a necessidade de “uma abordagem
integrada da covid-19 com as outras infeções respiratórias víricas,
nomeadamente a gripe e a infeção pelo Vírus Sincicial Respiratório”.
“Na época de outono/inverno ocorrem temperaturas baixas e um aumento
da incidência de infeções respiratórias” disse Pedro Pinto Leite,
advertindo que “a dinâmica da covid-19 pode ainda não se encontrar
estabilizada” e ainda constitui uma emergência de saúde pública de
âmbito Internacional.Segundo Pedro Pinto
Leite, tem-se observado “um ligeiro aumento” no número total de
internamentos por covid-19, que sugere uma incidência com tendência
crescente, mas com valores inferiores aos da última onda e com um padrão
semelhante ao do ano passado.Nos
internamentos nas unidades de cuidados intensivos por covid-19,
observa-se “uma estabilização”, também com valores inferiores ao da
última onda e um padrão semelhante a 2021.Verifica-se
que o aumento dos internamentos em enfermarias deve-se sobretudo a
pessoas com mais de 65 anos, mas recentemente tem vindo a observar-se um
aumento no grupo entre os 50 e 59 anos.Nas
unidades de cuidados intensivos, há uma estabilização dos internamentos
em todos os grupos etários, disse o especialista, acrescentando que
esta estabilização também é encontrada na mortalidade por covid-19.“Neste
momento, a sete dias temos quatro óbitos por milhão de habitantes (…)
muito abaixo dos 20 que tínhamos anteriormente que é o limiar definido
pelo ECDC [Centro Europeu de Controlo e Prevenção de Doenças]”.Relativamente
ao Vírus Sincicial Respiratório, Pedro Pinto Leite disse, citando o
último relatório do Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge
(INSA), que aumentaram recentemente os internamentos devido a esta
doença em crianças abaixo dos dois anos.“Este
aumento é superior ao que é esperado para esta altura do ano”,
observou, destacando que 43% dos internamentos são de crianças até aos
três meses, 15% de prematuros e 14% de bebés com baixo peso, segundo
dados desde outubro de 2021.Aludindo à
atividade gripal na Austrália, país referência para prever o que vai
acontecer no inverno na Europa, o investigador alertou que é preciso
“olhar com cautela” para a atividade gripal” este ano em Portugal.Citando
o boletim do INSA, apontou um aumento da atividade gripal em Portugal
“aparentemente à custa do subtipo H3N2” semelhante ao observado no
hemisfério sul, o que deixa “uma nota de alguma cautela para este ano”.Perante esta realidade, Pedro Pinto Leite apelou para a vacinação para prevenir estas infeções respiratórias.Disse
ainda que a situação atual é caracterizada por um aumento de consultas
de gripe e de outras infeções respiratórias, com um padrão semelhante ao
que era na pré-pandemia.Ao nível dos
serviços de urgência, registou-se um aumento da proporção de episódios
de urgência por síndroma gripal e outras infeções respiratórias mais
recentes na última semana, ultrapassando os 10%.“A
mortalidade encontra-se dentro do esperado para altura do ano e,
portanto, pelo que se entende que não há impacto neste momento pela
dinâmica da transmissão da covid, da gripe, e de outro vírus
respiratórios”, concluiu.