Infarmed faz recomendações para gerir escassez de medicamentos para diabetes
4 de jul. de 2024, 12:15
— Lusa/AO Online
“A
situação de escassez, que abrange os medicamentos Ozempic (semaglutido,
nas suas três dosagens), Trulicity (dulaglutido) e Victoza
(liraglutido) deverá manter-se em 2024 e 2025”, refere a Autoridade
Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde numa circular informativa
publicada no seu ‘site’.Segundo o
regulador, esta limitação deve-se à existência de “uma elevada
prescrição” destes medicamentos destinados ao tratamento de doentes
adultos com diabetes mellitus tipo 2, aliada a constrangimentos na
capacidade de produção. “A utilização
destes medicamentos para indicações que não se encontram aprovadas,
nomeadamente na perda de peso, tem contribuído, de forma significativa
para o agravamento da situação”, afirma, recordando que os problemas de
abastecimento ocorrem desde 2022.O
Infarmed adianta que todas as autoridades do medicamento a nível europeu
estão envolvidas na monitorização e mitigação desta escassez em
conjunto com as empresas responsáveis pela comercialização, tendo
emitido “um conjunto de recomendações que visam melhorar o fornecimento
destes medicamentos aos doentes”.Nas
recomendações dirigidas aos titulares de autorização de introdução no
mercado (AIM) dos medicamentas, o Infarmed sugere que os materiais
promocionais destes medicamentos sejam acompanhados de mensagens de
alerta para evitar o seu uso indevido.“Devem
aumentar a capacidade de produção e implementar medidas, de rápida
execução, que permitam aumentar a quantidade de medicamento fornecida,
nomeadamente através de uma distribuição controlada e equitativa em
todos os Estados membros da União Europeia”, refere na circular.Para
os profissionais de saúde, o regulador informa que os medicamentos em
causa apenas estão comparticipados para o tratamento da diabetes tipo 2,
como adjuvante à dieta e exercício, em adição a outros medicamentos
para o tratamento da diabetes, para ser utilizado em segunda e terceira
linhas terapêuticas.Frisa ainda que estes
medicamentos não devem ser prescritos a doentes que não sejam diabéticos
e alerta que a sua utilização ‘off-label’ coloca em risco “a sua
disponibilidade” para quem deles necessita e para os quais foram
aprovados.O início de novos tratamentos
deve ser “cuidadosamente ponderado” face à escassez do abastecimento
destes medicamentos e à existência de alternativas que não apresentam
constrangimentos.“As farmácias devem
garantir, previamente à dispensa destes medicamentos, que os utentes já
não dispõem de embalagens suficientes, através da consulta ao histórico
de prescrições e dispensas, por forma a evitar açambarcamento”,
recomenda o Infarmed.Aconselha também os
utentes, caso seja necessário, a consultar o médico para a prescrição de
uma alternativa terapêutica, e adverte que a compra destes medicamentos
“em circuitos ilegais, fora das farmácias, constitui um risco para a
saúde”.“A utilização abusiva dos
medicamentos agonistas do recetor da GLP-1 tem graves consequências na
saúde pública, havendo inclusivamente relatos de falsificação destes
medicamentos”, alerta.