Infarmed diz que Portugal tem um polo da reserva europeia de medicamentos
6 de mai. de 2025, 17:58
— Lusa/AO Online
Numa
resposta enviada à Lusa a propósito de uma noticia publicada pelo
Diário de Notícias, que escreve que “Portugal está sem reserva
estratégica de medicamentos”, o Infarmed esclareceu que durante o apagão
o acesso da população a medicamentos não esteve em causa porque o
circuito de distribuição e dispensa foi considerado prioritário “mesmo
em situação de falha energética prolongada”.A
Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde diz ainda que os
distribuidores nacionais “têm a obrigatoriedade de garantir um stock
mínimo de medicamentos para um a dois meses” e que os operadores do
circuito do medicamento “estão sujeitos a regras específicas para
garantir a disponibilidade contínua de medicamentos”.Esta
situação – acrescenta -, está definida “no Estatuto do Medicamento e
pelo Regulamento de Gestão da Disponibilidade do Medicamento”, aprovado
já este ano.O Diário de Notícias cita o
bastonário da Ordem dos Farmacêuticos, que se queixa de isolamento do
setor, que não integra qualquer Plano de Contingência para a Saúde,
alertando que, se o apagão tivesse durado 24 horas, iria haver corte de
medicamentos.Questionado hoje pela Lusa
sobre a constituição de reservas estratégicas, o Infarmed escreve que
“têm vindo a ser desenvolvidas ações concretas a nível nacional e
europeu”, em articulação com as entidades competentes, para “reforçar a
resiliência do sistema de saúde e garantir a disponibilidade atempada de
medicamentos essenciais em situações de emergência”.
Lembra a Resolução do Conselho de Ministros publicada no ano passado
que estabelece medidas para a constituição de reservas estratégicas de
medicamentos e dispositivos médicos em Portugal, no âmbito do projeto
europeu rescEU Stockpile. “Esta resolução
reforça a capacidade de resposta de Portugal a crises de saúde pública,
garantindo a disponibilidade de medicamentos essenciais em situações de
emergência ou catástrofe”, acrescenta.Explica
que a Reserva Estratégica Europeia (rescEU) “é uma reserva de
capacidades europeias para dar resposta a catástrofes, totalmente
financiada pela UE, que se encontra repartida por vários Estados membros
e que pode ser acionada a qualquer momento”.“Os
custos de aquisição, funcionamento e manutenção são assegurados pela
UE”, diz o Infarmed, explicando que o projeto está “em fase de
desenvolvimento técnico” e é gerido pelo Serviço de Utilização Comum dos
Hospitais (SUCH”, envolvendo outras entidades do Ministério da Saúde. Esclarece
igualmente que Portugal tem já instalado um polo desta reserva europeia
de medicamentos, dispositivos médicos e dispositivos de diagnóstico -
já com 22 polos constituídos em 16 países -, “beneficiando da garantia
de acesso a estes produtos em 24 horas através dos mecanismos europeus
de proteção civil”.Em resposta escrita
enviada à Lusa, também o Ministério da Saúde disse que esta reserva é
acionada através do Mecanismo de Proteção Civil e dá resposta em 24
horas. Cabe à Autoridade Nacional de Proteção Civil ativar o mecanismo europeu. Segundo
o Ministério, “esta reserva está em instalações do SUCH - que lidera um
consorcio nacional (DGS,INSA,INFARMED,SPMS e Laboratório Nacional de
Medicamento, INEM) e é acionada sempre que há emergências,
independentemente do perfil (apagão, por exemplo)”.Paralelamente,
“está em preparação um Plano de Preparação e Respostas a Emergência em
Saúde Pública que está a ser elaborado pela DGS”, adianta.Juntamente
com este plano, “será constituída uma nova reserva nacional de
medicamentos e dispositivos médicos para emergências em saúde publica,
em colaboração, entre outros, com o Laboratório Nacional do
Medicamento”, acrescenta.O Governo refere
ainda que “durante o apagão nunca esteve em causa o circuito de
medicamentos, tendo sido aprovado em Conselho de Ministros uma Resolução
que determinou a emergência médica, hospitais, unidades de saúde e
serviços de transporte de medicamentos e dispositivos médicos como
entidades prioritárias”.