Inês Henriques foca-se nos 20 km e critica estafeta mista
Paris2024
11 de abr. de 2023, 11:59
— Lusa/AO Online
Em
declarações à Lusa, Inês Henriques posicionou-se contra a inclusão no
programa olímpico pela World Athletics (WA) de uma estafeta mista com a
distância da maratona (42,195 quilómetros), para um atleta masculino e
uma feminina, eliminando os 35 quilómetros (individuais ou em equipa),
já depois de gorada a inclusão dos 50 quilómetros femininos em
Tóquio2020.“Isto não tem qualquer
comentário. Primeiro, é uma prova que era para substituir uma prova de
longa distância, e é óbvio que 10 mais 10 quilómetros não é uma prova de
longa distância, não são os mesmos atletas que vão competir. Ainda por
cima, com a diferença de uma semana entre a prova de 20 e esta estafeta
[em Paris2024]... Basicamente, vão ser os atletas de 20 que vão fazer
esta prova. Os atletas de longa distância é para esquecer”, lamenta.Com
tantas mudanças, quer ver “uma coisa de cada vez” e apostar, primeiro,
em fazer “boas marcas” nos 20 quilómetros, a que vai regressar e em que
já conseguiu um 12.º lugar olímpico, no Rio2016, até porque “com tudo
isto, mais parece que os Jogos Olímpicos vão passar a Jogos Sem
Fronteiras”.“[Quero] concentrar-me nesta
época, tentar duas ou três provas de qualidade nos 20 km, o Europeu de
nações pelos 35 km e, no Mundial, também os 35, e se puder os 20. Depois
reuniremos e vejo o que temos”, conta.Inês
Henriques concorda com João Vieira na perceção de que a mudança pode
ser “o princípio do fim” da marcha nos Jogos Olímpicos, vendo esta
estafeta mista como um ‘íman’ de problemas, criando “mais polémica” e
facilitando a que a prova seja retirada, ficando apenas os 20
quilómetros.“O meu objetivo é ir aos Jogos
Olímpicos, (...) e tentar acabar a carreira em Paris. Óbvio, já não
tenho a esperança de boas classificações como no passado. Estou quase a
fazer 43 anos. Numa longa distância, era diferente”, admite.Para
já, prepara-se para o Grande Prémio de Rio Maior, em 06 de maio, nos 20
quilómetros, para subir no ranking e tentar boa marca, até porque esta
estafeta mista “está fora de hipótese”.A
decisão anunciada na sexta-feira pela World Athletics, organismo que
rege o atletismo mundial, e pelo COI, faz com que a distância mais longa
da marcha desapareça das grandes competições, e se passe apostar num
percurso de maratona (42,195 km), dividido por quatro atletas. Serão
25 seleções em competição, cada uma composta por um atleta masculino e
um feminino, que completarão a distância em quatro etapas de distância
aproximadamente igual. Cada atleta completará duas etapas de pouco mais
de 10 quilómetros cada, alternando masculino, feminino, masculino,
feminino.O evento será realizado no mesmo
percurso que os eventos individuais de marcha atlética, de 20
quilómetros, junto à Torre Eiffel, no centro de Paris, e será concluído
em cerca de três horas. As regras de qualificação para o novo evento vão ser publicadas em breve.A
estafeta da marcha será disputada na quarta-feira 07 de agosto de 2024,
às 07:30 locais (06:30 em Lisboa), seis dias depois das provas
individuais de marcha atlética de 20 quilómetros, o que permitirá que os
marchadores compitam nas duas provas.