Inês Henriques assume nova fase, ainda como última campeã lusa
Atletismo/Mundiais
13 de jul. de 2022, 12:23
— João Pedro Simões/Lusa/AO Online
A
marchadora de Rio Maior foi a última portuguesa a sagrar-se campeã em
Mundiais de atletismo, em Londres, em 2017, na estreia feminina dos 50
quilómetros, uma distância entretanto descontinuada pela World
Athletics, praticamente excluindo Inês Henriques dos Jogos Olímpicos
Tóquio2020."Este meu regresso, em duas
provas do campeonato, é importante, após o ano de 2021 e os últimos anos
tão difíceis, por problemas de saúde e lesões. Mas tenho a noção de que
estou noutra fase da minha carreira", reconheceu Inês Henriques, em
entrevista à agência Lusa.Aos 42 anos, a
marchadora vai disputar os seus 10.ºs campeonatos do mundo, em Eugene,
no estado norte-americano do Oregon, onde se propõe disputar a prova dos
20 quilómetros, na sexta-feira, a partir das 13:10 locais (21:10 em
Lisboa), juntamente com Carolina Costa e Ana Cabecinha, e os 35, uma
semana depois, às 06:15 (14:15), ao lado de Sandra Silva e Vitória
Oliveira.“Sei que estou qualificada como
48.ª nos 20 quilómetros e 31.ª nos 35, e esta é uma prova diferente, que
não beneficia quem fazia 50. Tenho essa noção, por isso vou entrar na
competição de forma humilde, e tudo o que vier será muito importante.
Quanto mais, melhor”, admitiu.A presença
nas duas competições é “uma opção estratégica” da atleta do CN Rio Maior
e do seu treinador Jorge Miguel, como que numa preparação para a prova
mais longa.“Noutras alturas já fiz duas
provas em semanas seguidas e, normalmente, na segunda estava mais
descontraída e as coisas correram melhor. Vou começar os 20 com alguma
cautela e, depois, nos 35 como maior objetivo, ainda começando com
humildade, consciente da minha posição no ‘ranking’”, frisou.Taticamente, as provas vão ser feitas de “trás para a frente”, sempre focada nas suas sensações.“Já
não tenho ambições a medalhas nos 20 quilómetros, e os 35 são uma prova
diferente dos 50. Então quero ficar um pouco mais à frente no
‘ranking’, mas não posso pensar nisso à partida, nem que estou muito
atrás aos 10. Dependendo das condições, vou procurar, nas duas provas,
que o foco seja em mim e tudo o que vier é ganho”, sublinhou.Os
Jogos Olímpicos Tóquio2020 marcaram a despedida dos 50 quilómetros
marcha dos calendários internacionais, já só com a prova masculina,
deixando a tristeza, mas fechando o ciclo de Inês Henriques, que foi
recordista mundial e campeã do mundo na distância.“Fiquei
triste porque sentia que podia fazer algo diferente. Mas fechou-se o
ciclo, e não vale a pena pensar mais no assunto, ainda pensei terminar a
carreira, mas não queria que me empurrassem para isso e tive de
adaptar-me aos 35, porque quero ser eu a decidir o momento certo”,
vincou.Ainda a “trabalhar para melhorar”,
física e psicologicamente, Inês Henriques conta disputar, ainda este
verão, os Europeus, em Munique, na Alemanha, pouco menos de um mês
depois dos Mundiais.Antes de enfrentar as
provas de 50 quilómetros dos Mundiais – em Londres2017 sagrou-se campeã e
em Doha2019 desistiu –, Inês Henriques tinha como melhores resultados
os sétimo e oitavo lugares em Osaka2007 e Daegu2011, respetivamente.