INEM pagou dívida de 9,7 ME aos bombeiros pelo transporte urgente de doentes
Hoje 10:52
— Lusa/AO Online
A
Liga dos Bombeiros Portugueses (LBP) também confirmou que a dívida
vencida do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) foi “paga hoje
na totalidade”.Nas redes sociais, a LBP
salientou que na quinta-feira, último dia do mês, vencem mais cerca de
10 milhões de euros relativos aos serviços prestados pelos bombeiros em
março, “cujo pagamento se espera para esta semana”.Fonte
do INEM confirmou que a dívida relativa a março vence no final desta
semana, estando a “envidar todos os esforços” para fazer os 474
pagamentos às associações de bombeiros e à Cruz Vermelha Portuguesa, que
são os parceiros do Sistema Integrado de Emergência Médica (SIEM), o
“mais rápido possível”.O instituto aguarda a necessária autorização do Governo para utilizar o saldo de gerência para fazer o pagamento em causa.Em
declarações à Lusa, o vice-presidente da LBP, Eduardo Correia, alertou
para a necessidade de haver regularidade nos pagamentos por parte do
INEM, alegando que as associações de bombeiros têm de “saber com o que
contam”, uma vez que têm despesas fixas mensais que para cumprir.Segundo
a LBP, os “atrasos verificados” nos pagamentos do INEM “provocaram
sérios constrangimentos nas tesourarias das associações, nomeadamente,
para os pagamentos a funcionários e a fornecedores permanentes”.Ao
abrigo do acordo assinado com os bombeiros, o INEM tem de pagar até ao
último dia do mês seguinte os valores cobrados pelo transporte de
doentes urgentes realizados durante o mês anterior.O
instituto paga aos bombeiros e à Cruz Vermelha Portuguesa um subsídio
mensal fixo de 8.760 por cada ambulância de socorro, integrada no SIEM,
ao qual é acrescido uma taxa variável consoante os quilómetros efetuados
nos serviços.A LPB reivindicou a
atualização destes montantes, com o presidente do INEM, Luís Mendes
Cabral, a adiantar recentemente que já há um “princípio de acordo” para
aumentar para os 10.800 euros mensais, mas que está dependente de um
reforço orçamental do instituto, que permita acomodar o aumento de
despesa.Segundo Eduardo Correia, este
aumento acordado para 10.800 euros do subsídio fixo constitui um “balão
de oxigénio” para as associações, mas alertou que ainda falta o despacho
do Ministério da Saúde a atualizar os valores.Adiantou
ainda que o socorro pré-hospitalar está hoje mais profissionalizado do
que era há uns anos, o que aumentou também os custos para as
associações.Este mês, a LBP anunciou que
pretende rescindir o acordo de cooperação com o INEM para a prestação de
socorro pré-hospitalar, uma medida aprovada por unanimidade no seu
Conselho Nacional e que vai efetivar-se 120 dias depois de o instituto
ser notificado."A questão não é o valor, é
o incumprimento do contrato", ressalvou o presidente da LBP, António
Nunes, precisando que o INEM está obrigado a liquidar o valor devido aos
bombeiros pela assistência pré-hospitalar no mês seguinte ao da
prestação do serviço, o que, disse o responsável da liga, ultimamente
não tem acontecido.