INEM garante continuidade do serviço através de novo contrato com atual operador
1 de jul. de 2024, 10:39
— Lusa/AO Online
Num
esclarecimento enviado à Lusa, o Ministério da Saúde afirmou
que o INEM podia ter lançado concurso público para o serviço de
transporte aéreo de doentes com base numa resolução do Conselho de
Ministros de 2023, evitando prolongar a adjudicação direta.Num
comunicado divulgado posteriormente, ao final da tarde de hoje, o
Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) referiu que "vai
assegurar a continuidade do serviço de helicópteros de emergência médica
através de um novo contrato estabelecido com o atual operador, dentro
do valor autorizado pelo anterior Governo em outubro de 2023 (RCM -
Resolução de Conselho de Ministros n.º 133/2023, de 25 de outubro), e
com um dispositivo composto por quatro aeronaves, duas médias a operar
24 horas e duas ligeiras a operar 12 horas, conforme serviço que vem
sendo prestado desde o dia 01 de janeiro de 2024".O
INEM informa ainda que o concurso público para locação de meios aéreos e
aquisição de serviços de operação, gestão da aeronavegabilidade
permanente e manutenção das aeronaves "foi efetivamente lançado em
janeiro de 2024 pela SPMS – Serviços Partilhados do Ministério da Saúde
(como previsto na referida RCM), e recebeu propostas de duas empresas,
ambas com valores significativamente superiores ao preço base do
concurso, que se situava nos 12 milhões de euros/ano". Perante
isso, "o INEM deu início, em abril de 2024, aos procedimentos para
lançamento de um novo concurso público internacional, tendo apresentado à
tutela sucessivas e insistentes propostas de nova RCM, salientando
sempre o caráter urgente e a necessidade de uma rápida tomada de
decisão".Até porque, acrescenta, "não
faria sentido lançar um novo concurso público com condições idênticas ao
do anterior, e que eram as condições autorizadas pelo anterior
Governo", sendo que "estas condições já mostraram não satisfazer as
exigências do mercado, conforme comprovam também as várias consultas
realizadas pelo Instituto a diversos operadores e que foram sendo
comunicadas à tutela".O INEM recorda que o
contrato que hoje termina "foi estabelecido com o único operador que se
mostrou disponível para assegurar o serviço, mas sem que fosse possível
garantir um dispositivo com quatro aeronaves, todas a operar 24 horas
por dia". Perante as limitações
encontradas, "foi necessário reduzir-se, desde o início de 2024, o tempo
de operação de dois dos quatro helicópteros ao serviço da emergência
médica", prossegue, acrescentando que o "contrato por ajuste direto
recebeu visto do Tribunal de Contas em maio de 2024". Ora,
"perante a ausência de qualquer resposta por parte da tutela que
permitisse a abertura de um novo concurso público internacional, a única
alternativa à não adjudicação de um novo contrato por ajuste direto
seria o país deixar de contar com este serviço, o que seria
inaceitável".Além disso, "o INEM não foi
consultado, em momento algum, sobre a possibilidade de intervenção das
Forças Armadas no processo de helitransporte de emergência médica, pelo
que continua a desconhecer de que forma ou se esse contributo poderá ser
concretizado", refere a entidade. "Dentro
da atual conjuntura, e das competências do Conselho Diretivo do INEM, o
Instituto tudo fez e continuará a fazer para acautelar sempre o
interesse público e garantir a continuidade do serviço de helicópteros
de emergência médica nas melhores condições possíveis", conclui."Desde
o dia 02 de abril até à data de hoje, o INEM não lançou nenhum concurso
público internacional para aquisição dos serviços em causa. Não
compreendemos os motivos", afirma o Ministério da Saúde, no
esclarecimento hoje enviado à Lusa.Ainda
segundo o Ministério da Saúde, o Governo questionou por várias vezes o
Conselho Diretivo do INEM sobre o serviço de transporte de emergência em
helicópteros, por saber que o ajuste direto em vigor terminava hoje, 30
de junho, mas o instituto "nunca apresentou uma solução" ao abrigo da
RCM de outubro de 2023, que autoriza a despesa relativa ao lançamento de
um novo concurso público para o período 2024-2028.