INEM alerta bombeiros para possíveis atrasos no pagamento do subsídio mensal
18 de jun. de 2025, 16:40
— Lusa/AO Online
Em
fevereiro, a Liga dos Bombeiros Portugueses (LBP) e o Instituto
Nacional de Emergência Médica assinaram um acordo que determinava os
novos subsídios a atribuir pelo INEM às corporações de bombeiros com
ambulâncias de emergência médica, que passaram a receber, com efeitos
retroativos a janeiro deste ano, 8.760 euros mensais, traduzindo-se num
aumento de 2.000 euros.Esta semana, o
Instituto enviou uma carta às associações humanitárias com ambulâncias
do INEM, alertando-as para “a possibilidade de eventuais atrasos no
pagamento mensal dos referidos subsídios”.Na
missiva a que a Lusa teve hoje acesso, o INEM explica que as suas
receitas são provenientes da taxa aplicada sobre os prémios dos seguros,
um modelo de financiamento que tem como objetivo “garantir a
sustentabilidade do Sistema Integrado de Emergência Médica (SIEM)” e
permitir “a manutenção dos meios operacionais, a qualificação dos
recursos humanos e uma resposta atempada às necessidades da população”.“Contudo,
importa referir que a cobrança desta receita não depende apenas do
INEM, o que faz com que nem sempre seja possível assegurar a tesouraria
necessária para o pagamento atempado dos subsídios devidos aos parceiros
do SIEM”, refere a carta assinada pela coordenadora do Gabinete de
Planeamento e Controlo de Gestão do INEM.Segundo
o instituto, “este constrangimento tem sido agravado pelo aumento
significativo dos montantes dos subsídios, decorrente do novo memorando
de entendimento em vigor”.O INEM assegura
que está empenhado em desenvolver “todos os esforços para garantir os
pagamentos dentro dos prazos estabelecidos”, mas “face às limitações”
poderá, “em determinados momentos não ser possível cumprir rigorosamente
esse objetivo”.Contactado pela Lusa, o
presidente da Liga dos Bombeiros Portugueses confirmou o atraso no
pagamento, precisando que os bombeiros receberam hoje o subsídio que já
devia ter sido pago a 10 de abril.António
Nunes criticou o INEM por ter enviado esta carta às corporações de
bombeiros sem conhecimento da LBP, uma vez que as duas entidades são
parceiras e na próxima segunda-feira haverá a reunião mensal do grupo de
acompanhamento permanente do acordo assinado em fevereiro.O
responsável acrescentou que o INEM apenas comunicou à Liga que ia
enviar às associações humanitárias a carta sobre o atraso no pagamento
dos subsídios.“De uma forma traiçoeira, o
INEM anda a tentar justificar situações que deviam ser feitas no grupo
de acompanhamento”, disse, frisando que existe um acordo homologado pela
ministra da Saúde que não está a ser cumprido.António
Nunes sustentou que o INEM tem que dizer ao Ministério Saúde que
precisa de reforço orçamental para cumprir com o acordo, que “não é
clandestino”.