Inefável foi a palavra mais pesquisada no dicionário Priberam em 2024
19 de dez. de 2024, 11:02
— Lusa/AO Online
Inefável
foi "a palavra mais procurada no Dicionário Priberam", mas é "uma
curiosidade sobre o Dicionário, não faz parte das selecionadas para 'O
Ano em Palavras', pois não nos parece que esteja ligada a nenhum evento
específico, até porque as buscas ocorreram ao longo de todo o ano e não
numa altura específica, como as 24 que fazem parte da seleção" feita com
a Agência Lusa, que pelo oitavo ano consecutivo se juntou ao Priberam
para selecionar as palavras mais pesquisadas e que ilustram o ano que
está a terminar, esclarecem as duas entidades em comunicado.As
24 palavras (duas por cada mês) que definiram o ano - selecionadas, em
termos de relevância, a partir de mais de centena e meia de pesquisas
que se destacaram por serem feitas no momento em que decorriam os
acontecimentos que lhes deram origem - encontram-se disponíveis no
‘site’ oanoempalavras.pt, cada uma delas ilustrada com fotografias e
notícias da Lusa sobre o evento em causa.As
palavras são apresentadas por ordem cronológica, de janeiro a dezembro,
e cada palavra permite aceder diretamente ao seu significado no
Dicionário Priberam e ao artigo da Lusa sobre a notícia que motivou as
pesquisas."O interessante do 'Ano em
Palavras' é o exercício de ligar os acontecimentos e as ideias a
palavras-chave e, de novo, através delas, voltar à realidade e perceber o
que aconteceu. Ou, pelo menos, entender como a generalidade das pessoas
a apreendeu ou percebeu. Um pouco como um calendário em palavras. Sem a
Lusa, acho que esse exercício seria impossível", afirmou a diretora de
informação da Lusa, Luísa Meireles, a propósito da iniciativa.O
diretor executivo da Priberam, Carlos Amaral, considerou, por sua vez,
que “esta iniciativa é uma das maneiras de a Priberam mostrar de que
modo é que as consultas ao Dicionário Priberam podem ilustrar o país e o
mundo em 2024 e é um privilégio poder associar essas pesquisas aos
textos dos jornalistas e às imagens dos fotógrafos da Lusa”.Suplemento
e imunidade foram as palavras que marcaram janeiro, mês em que milhares
de polícias exigiram suplemento de risco idêntico ao da Polícia
Judiciária, e em que o presidente do Governo Regional da Madeira, Miguel
Albuquerque, arguido por suspeitas de corrupção, admitiu o levantamento
da imunidade.As palavras que
caracterizaram fevereiro foram Vudu, por causa da escola de samba que
venceu o Carnaval carioca com um enredo baseado na força das mulheres
negras e em crenças vudus, e 'Persona non grata', classificação
atribuída por Israel ao presidente do Brasil, Lula da Silva, após este
ter comparado Gaza ao Holocausto.Março foi
definido pelas palavras marcha, devido aos agricultores que fizeram uma
marcha lenta para reivindicar medidas contra a seca, e legislativas, na
sequência da vitória da Aliança Democrática nas eleições legislativas.Em
abril, milhares de pessoas encheram a Avenida da Liberdade no
cinquentenário do 25 de Abril, e Marcelo Rebelo de Sousa defendeu o
pagamento de reparações por crimes da era colonial, pelo que as palavras
mais procuradas foram liberdade e reparação.As
palavras de maio foram faroeste e repúdio, a propósito de o presidente
francês, Emmanuel Macron, dizer que a Nova Caledónia não se podia tornar
um "faroeste", e de o presidente da Assembleia da República,
Aguiar-Branco, propor um voto de repúdio contra discursos de ódio.Em
junho, as palavras eleitas foram asilo, porque, segundo a Agência da
ONU para os Refugiados, ACNUR, Portugal recebeu cerca de 2.600 pedidos
de asilo em 2023, e extrema-direita, porque milhares de franceses se
manifestaram contra a extrema-direita após a primeira volta das
legislativas.Julho foi um mês marcado
pelos vocábulos traineira e desistência, na sequência do naufrágio de
uma traineira que provocou a morte de vários pescadores, e do anúncio de
Joe Biden de que desistia das presidenciais norte-americanas e apoiava
Kamala Harris.Em agosto, a conquista do
bronze pela judoca Patrícia Sampaio e da prata pelo ciclista Iúri Leitão
no omnium, nos Jogos Olímpicos de Paris, ditaram a escolha das palavras
judoca e omnium.As fagulhas e cinzas no
ar na sequência de incêndios florestais no centro e norte do país e o
ciberataque israelita que causou a explosão simultânea de milhares de
‘pagers’ no Líbano fizeram de fagulha e 'pager' as palavras em destaque
no mês de setembro.A depressão que
provocou fortes inundações, mais de 200 mortos e graves danos no sudeste
de Espanha e as manifestações no Bairro do Zambujal a exigir “justiça”,
após a morte de um morador baleado pela PSP, fizeram de depressão e
Zambujal as palavras de outubro.Novembro
foi o mês dos termos greve e barricada, depois de a ministra da Saúde,
Ana Paula Martins, visitar o INEM na sequência da crise por greve dos
técnicos de emergência pré-hospitalar, e de manifestantes contestarem o
resultado das eleições moçambicanas com barricadas nas ruas.Por
fim, dezembro ficou marcado por restauração, devido às declarações do
secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, que recordou a
Restauração da Independência em Portugal, para defender a soberania da
Ucrânia, e por transição, na sequência da queda do regime de Bashar
al-Assad na Síria, que deixou o país com um governo de transição.Segundo
o comunicado, o Dicionário Priberam, que celebrou 15 anos, conta com
uma interface renovada, mais fácil de usar e mais otimizada para
dispositivos móveis. Além disso, aumentou o seu conteúdo, com a inclusão
de mais de 7.300 novos verbetes, contabilizando à data mais de 167.600
entradas e mais de 273.700 definições.