Indigitada para Segurança Interna diz que mortos por violência doméstica não tiveram acesso ao sistema
11 de dez. de 2024, 15:20
— Lusa/AO Online
Numa
audição na comissão parlamentar de Assuntos Constitucionais, Direitos,
Liberdades e Garantias, a procuradora, indigitada pelo primeiro-ministro
para o cargo de secretária-geral do Sistema de Segurança Interna,
considerou “um número aterrador” as cerca de 30 mil queixas por ano de
violência doméstica.“Percebe-se que as
vítimas mortais de violência doméstica não tiveram acesso ao sistema.
Não contactaram o sistema. É uma preocupação que acho que uma política
de proximidade poderá colmatar, tentar reforçar a confiança das pessoas
no sistema que poderão contactar e ter respostas”, disse Patrícia Barão,
cuja audição parlamentar está prevista na Lei da Segurança Interna.Em
resposta aos deputados, Patrícia Barão defendeu que o plano de ação
contra os extremismos violentos deve ser atualizado, tendo em conta que,
“com o crescimento das redes sociais, muitas outras formas de
concretização deste extremismo e de mobilização têm sido criadas”.Nesse
sentido, acrescentou que uma das prioridades será “estar atenta aos
grupos inorgânicos que subscrevem ideários extremistas com grande
capacidade de mobilização, sobretudo através das redes sociais”.Questionada
sobre as recentes operações policiais realizadas pelas polícias e
destacadas por membros do Governo, nomeadamente por Luís Montenegro, a
secretária-geral indigitada recordou que estas ações estão previstas na
lei de política criminal.“Não sei que
indicadores estiveram na base para avançar com essas ações, uma vez que
ainda não estava no cargo”, disse, comprometendo-se a cumprir a lei
quando assumir funções.Entre os
“princípios e prioridades que devem nortear as funções de um
secretário-geral no domínio da segurança interna”, a procuradora
destacou “o acompanhamento do atual modelo de controlo de fronteiras com
vista a prevenir e combater fenómenos de imigração irregular e
criminalidade transfronteiriça”, bem como acompanhar os principais
fenómenos criminais, em particular o combate ao tráfico de droga, de
seres humanos e armas de fogo.Disse ainda
que vai “manter a estreita relação de cooperação e confiança com as
forças de segurança”, o “reforço institucional” para garantir que a
informação flui de forma rápida e eficiente e o “desenvolvimento de
programas de planos de segurança comunitária e policiamento de
proximidade".Indigitada no início de
novembro pelo primeiro-ministro para secretária-geral do Sistema de
Segurança Interna, Patrícia Barão sucede a Paulo Viseu Pinheiro, que
esteve no cargo entre julho de 2021 e agosto deste ano, quando assumiu a
função de Representante Permanente de Portugal junto da NATO, em
Bruxelas.Desde agosto que o Sistema de
Segurança Interna está sem secretário-geral, estando o cargo a ser
ocupado interinamente por Manuel Vieira, que foi chefe de gabinete de
Paulo Vizeu Pinheiro.Patrícia Ferreira
Barão, natural de Lisboa e com 50 anos, é licenciada em Direito pela
Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, magistrada do Ministério
Público desde 2000, e exerce funções no gabinete do Ministério Público
junto do Tribunal Constitucional. Criado
em 2008, o secretário-geral do Sistema de Segurança Interna, também
conhecido por “superpolícia”, coordena a ação das forças e serviços de
segurança e pode assumir, em determinadas situações, a direção, comando e
o controlo dessas forças tendo também responsabilidades executivas na
organização de serviços comuns, como é o caso do Sistema Integrado de
Redes de Emergências e Segurança de Portugal (SIRESP) e da Central de
Emergências 112.O Sistema de Segurança
Interna Relatório tem ainda a responsabilidade de apresentar O Relatório
Anual de Segurança Interna (RASI), que reúne as estatísticas da
criminalidade das forças e serviços de segurança.