Índice de Bem Estar da população aproxima-se dos valores pré-pandemia
21 de dez. de 2024, 09:25
— Lusa
No
período 2004-2023, oito dos 10 domínios que integram o Índice de Bem
Estar (IBE) apresentaram evolução positiva, segundo as estimativas do
Instituto Nacional de Estatística (INE).A Segurança pessoal foi o domínio com evolução positiva “mais pronunciada”. O
IBE reflete a evolução do bem-estar da população recorrendo a
indicadores que traduzem duas perspetivas de análise: condições
materiais de vida e qualidade de vida.Estas
duas perspetivas apresentaram comportamentos distintos. O índice de
Qualidade de Vida foi “sempre superior” ao das Condições Materiais de
Vida, com exceção de 2009 e a partir de 2021, segundo a mesma fonte.A
estimativa preliminar de 2023 do Índice de Bem-estar (IBE) aponta para
uma melhoria relativamente ao ano anterior, mantendo um período de
crescimento contínuo a partir de 2012, apenas interrompido em 2020.
“Neste ano, marcado pela pandemia de covid-19, verificou-se um
decréscimo de 1,5 pontos percentuais (p.p.) em relação ao ano anterior,
mesmo assim inferior ao verificado em 2012 (2,0 p.p.)”, especificou o
INE. O IBE em Portugal evoluiu quase
sempre positivamente entre 2004 e 2023, reduzindo-se em 2007, 2011, 2012
e 2020. Naquele período, passou de 22,7 para 46,0, sobretudo devido aos
progressos verificados na avaliação das condições materiais de vida.A
partir de 2012, os domínios do ambiente e da segurança pessoal foram os
que exibiram os valores mais elevados do índice da Qualidade de Vida,
“refletindo assim uma posição relevante de Portugal nestas áreas, em
termos internacionais”, observaram os estatísticos, salientando, em
sentido inverso, “os baixos valores assumidos pelo índice do domínio da
participação cívica e governação”.O
domínio do bem-estar económico apresentou “um crescimento “significativo
até 2010, inverteu a tendência até 2012 e iniciou uma recuperação desde
então, só interrompida em 2020, de acordo com a informação destacada
pelo INE. Embora com acréscimos nos últimos três anos, em 2023 situou-se
num nível ainda inferior ao de 2019. “Salienta-se,
no comportamento deste índice, o nível dos indicadores de desigualdade e
concentração, os quais assumiram os valores mais elevados no período”,
indicaram os autores do relatório. Os dois
indicadores relativos ao património das famílias foram, não só os que
tiveram a evolução mais contida, como também os que apresentaram valores
mais baixos. Apesar de o domínio do
bem-estar económico e respetivos indicadores terem apresentado uma
evolução positiva, atingiram, em 2023, valores que se situam, em média,
perto de 30 (numa escala de 0 a 100).O emprego é a componente do bem-estar com a segunda evolução mais desfavorável, quando se considera todo o período 2004-2023. “No
entanto, se se considerar apenas o período posterior a 2012, é o
domínio que apresenta uma das variações positivas mais acentuadas”,
sublinhou o INE, acrescentando que para esta evolução contribuíram
sobretudo os indicadores das taxas de desemprego da população ativa,
jovem e com nível de educação superior.Estima-se
ainda que o domínio da saúde ocupe o terceiro lugar relativamente aos
sete domínios que constituem a perspetiva da qualidade de vida, em
termos de evolução favorável, entre 2004 e 2023.