Indicador de Atividade Económica com menor crescimento dos últimos três anos

Hoje 08:23 — Rui Jorge Cabral

O Indicador de Atividade Económica para os Açores apresentou um aumento de 1% em janeiro de 2026, face ao mês homólogo do ano anterior.E segundo os dados do Serviço Regional de Estatística dos Açores (SREA), este é o crescimento mensal mais baixo do Indicador de Atividade Económica dos últimos três anos e confirma uma tendência de abrandamento da atividade económica que se acentuou a partir de agosto de 2025.No Indicador de Atividade Económica para os Açores relativo a janeiro de 2026, de acordo com o SREA, a produção de produtos lácteos e as compras realizadas com cartões bancários tiveram uma variação positiva face a janeiro de 2025. Pelo contrário, na venda de cimento, no gado abatido e nas dormidas de turistas registaram-se as maiores variações negativas  face a janeiro de 2025.Refira-se que o Indicador de Atividade Económica não é uma medida real da riqueza produzida nos Açores e traduzida no Produto Interno Bruto (PIB), funcionando apenas com um indicador do estado geral da economia, evidenciando tendências de aceleração e desaceleração económica.Em declarações ao Açoriano Oriental, o presidente da Faculdade de Economia e Gestão da Universidade dos Açores, João Teixeira, lembra que a economia açoriana decresceu 10,2% em 2020, por via dos efeitos da paragem provocada pela pandemia de Covid-19, “e o que se assistiu nos anos subsequentes foram crescimentos a partir de uma base muito mais baixa”.Por isso, após um crescimento do PIB de 6,3% em 2022, “a economia dos Açores tem vindo a desacelerar no pós-pandemia e, portanto, o que já estamos a assistir também em 2026 é a um acentuar dessa desaceleração económica”.Assim sendo, até certo ponto, a descida do Indicador de Atividade Económica pode ser entendida como um regresso à normalidade, embora na tendência de descida mais acentuada iniciada a partir de agosto de 2025 haja um fator muito importante a ter em conta. Este fator é a redução mensal quase constante no número de dormidas de turistas, por comparação com os mesmos meses de 2025.E conforme alerta João Teixeira, “o turismo, que foi o setor que mais alavancou o crescimento económico no pós-pandemia, é agora o setor que, no fundo, também está mais a contribuir para a sua desaceleração, com a redução do número de dormidas nos Açores”.Além disso, o presidente da Faculdade de Economia e Gestão da Universidade dos Açores aponta igualmente para um outro fator de risco para a desaceleração da economia, sobretudo em 2027, que é o fim da execução do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR).“O fim do PRR vai fazer com que haja um arrefecimento do investimento público e do investimento privado e, portanto, um arrefecimento da economia”, alerta João Teixeira, que chama igualmente a atenção para o facto dos Açores terem registado nos últimos anos “um crescimento muito assente no turismo que é muito sujeito a fatores externos”.E um desses fatores externos, já a partir de abril, é a saída da Ryanair, o que pode levar a uma perceção por parte de muitos turistas “de que os Açores se tornaram num destino demasiado caro”, quando deixar de haver companhias ‘low cost’ a voar para a Região.Quanto a saídas para esta situação, o presidente da Faculdade de Economia e Gestão da Universidade dos Açores considera que, a médio e longo prazo, é preciso “apostar muito mais na competitividade empresarial”, a par de uma maior solidez nas finanças públicas.A curto prazo, “é fundamental resolver o problema das acessibilidades aos Açores”, afirma João Teixeira, a par da conclusão da privatização da Azores Airlines e de um reforço da promoção no exterior, “para não perdermos o comboio do turismo”.João Teixeira alerta, por fim, para a necessidade de corrigir algumas políticas, nomeadamente os incentivos à construção de novos Alojamentos Locais, uma vez que, com o abrandamento do turismo, “começamos a ter aqui um problema de oferta excessiva”, ao mesmo tempo que “continuamos com dinheiros públicos e fundos comunitários a incentivar quem quiser ter mais Alojamentos Locais”.