Incumprimento da Podium levou Federação de ciclismo a recorrer à banca
13 de nov. de 2025, 12:30
— Lusa/AO Online
O antigo ciclista, que há um ano
lidera a FPC, reiterou os pressupostos apresentados na segunda-feira no
anúncio da rescisão, com efeitos imediatos, do contrato de concessão
para a organização e exploração comercial da Volta a Portugal em
bicicleta, celebrado em 2017 com a empresa Podium Events.“O
comunicado é aquilo que é, efetivamente é por falta de cumprimento do
contrato, por ordem financeira. É um montante elevado. E como
instituição não poderia… porque isto torna-se insustentável”, começou
por dizer Cândido Barbosa, sem revelar o montante em atraso.Na
segunda-feira, a FPC dava conta do “incumprimento reiterado das
obrigações contratuais e de pagamento por parte da Podium Events”,
devido a uma “situação que se agravou ao longo do último ano, apesar das
várias tentativas de resolução amigável promovidas pela FPC”.“Ao
fim de vários meses de negociação, achámos que não havia mais forma de
mantermos um contrato que se torna completamente insustentável, porque
esta casa tem uma direção, tem uma Assembleia Geral e reporta contas”,
vincou.Exemplo disso foram as dificuldades
que a FPC enfrentou recentemente, como recordou Cândido Barbosa: “Eu,
há duas semanas, tive de recorrer à banca para pagar a gestão corrente
da FPC”.“É insustentável mantermos uma
casa como esta, quando temos um parceiro que se vai arrastando ao longo
dos anos, estamos a ficar com algumas dificuldades de gestão e há meio
ano que andamos nisto”, lamentou.O
contrato incluía também a organização da Volta ao Alentejo e da Volta a
Portugal do Futuro, cuja responsabilidade passa, agora, para a FPC.“Há
uma garantia neste momento, é que a única entidade organizadora e com a
responsabilidade de organizar a Volta a Portugal, a Volta ao Alentejo e
a Volta a Portugal do Futuro é a FPC. Essa é hoje a única verdade. A
entidade organizadora é da responsabilidade da FPC. Vamos estudar um
modelo de negócio para não corrermos os riscos que corremos até hoje.
Este fim de contrato não foi um fim prematuro, foi um fim tardio, porque
nós estamos em negociações com a Podium há meio ano”, rematou.Na
terça-feira, a Podium Events acusou a FPC de “falta de decoro e
lealdade”, dizendo ter tomado conhecimento do término antecipado do
contrato de concessão da Volta a Portugal através de patrocinadores.A
empresa diz não reconhecer a “alegada dívida” que lhe é imputada pelo
organismo presidido por Cândido Barbosa, “por carecer de base factual
adequada, e de validação conjunta”, nem qualquer fundamento jurídico ou
contratual que “legitime a pretensão” da resolução do contrato de
organização e exploração comercial da Volta, assumindo recorrer “a todos
os meios ao seu dispor para assegurar a defesa integral dos seus
direitos e legítimos interesses”.