Incidentes de segurança informática em Portugal aumentaram 40% em 2025
Hoje 10:30
— Lusa/AO Online
Ações
como burlas, perseguições, assédio, exposição a conteúdos nocivos e
desinformação no ambiente digital têm aumentado de forma significativa,
numa tendência de crescimento contínuo desde 2016, disse o coordenador
do Centro Nacional de Cibersegurança (CNCS), Lino Santos, numa audição
conjunta no parlamento a propósito da proposta de novas medidas de
proteção de crianças em ambientes digitais, aprovada na generalidade em
fevereiro.Pelo menos cerca de metade
desses incidentes em 2025 ocorreu por via de exploração de
vulnerabilidades associadas ao fator humano, através de 'phishing' via
e-mail, SMS ou redes sociais, induzindo a vítima a clicar em 'links'
falsos ou inserir senhas/dados bancários e variados tipos de burlas.Das
949 vítimas que contactaram a Linha Internet Segura (LIS) em 2025,
traduzindo um aumento de 39% face a 2024, cerca de 13% (ou 119 vítimas)
eram crianças e jovens.Em 2025 foram ainda
realizadas pelo CNCS 1.747 denúncias de conteúdos ilegais, mais 70% do
que no ano anterior, sendo que 62% foram relacionadas com abuso sexual
de menores e 33% com discurso de ódio.Na
mesma audição, a vice-presidente da Autoridade Nacional de Comunicações
(ANACOM), Raquel Brízida Castro, esclareceu os deputados de que não há
dúvida de que o sigilo das comunicações está protegido até que seja
alterada a Constituição portuguesa, e que só em processo criminal pode
haver uma ingerência em sigilo das comunicações.Uma
vez que já existem contas a que os menores acedem, a responsável
considerou ser relevante a criação de um regime transitório, até que
entrem em vigor as novas medidas de proteção em meio digital. Por
sua vez, a presidente da Comissão Nacional de Proteção de Dados (CNPD),
Paula Meira Lourenço, explicou aos deputados que atualmente as
plataformas não verificam a idade, mas recolhem dados pessoais fora do
princípio da proporcionalidade.Paula Meira
Lourenço partilhou as conclusões de um estudo recente da Assembleia
Mundial da Privacidade (GPA - Global Privacy Assembly), o principal
fórum global de autoridades de proteção de dados que junta mais de 130
entidades, que considera preocupantes. Segundo
esse levantamento, 62% dos 'sites' e aplicativos limitavam
explicitamente o acesso a utilizadores com uma determinada idade, em
regra 13 anos, mas 32% não usava qualquer mecanismo e verificação de
idade e, dos 68% que usava, 88% "ficava sossegado" com a mera
declaração.As conclusões revelam ainda que
11% fazia uma verificação de idade e 5% fazia uma estimativa de idade
por idade facial, foto, 'selfie' e vídeo, recolha de dados pessoais que
preocupa muito a CNDP, porque é totalmente desproporcional, disse Paula
Meira Lourenço aos deputados.O projeto de
lei que quer limitar o acesso de crianças e jovens a plataformas
'online' e redes sociais foi aprovado na generalidade em 12 de
fevereiro, com votos favoráveis das bancadas do PSD, PS, PAN e JPP,
votos contra das bancadas do Chega e da Iniciativa Liberal e as
abstenções do CDS-PP, PCP, Livre, Bloco de Esquerda e do socialista
Miguel Costa Matos. Com as novas regras,
vai ser preciso confirmar a idade do utilizador através do sistema Chave
Móvel Digital, que só aos 16 anos vai poder aceder a redes sociais como
o Instagram, Tik Tok ou Facebook e que, entre os 13 e os 16 anos, vai
precisar do consentimento parental expresso e verificado.