Incentivos à fixação de professores nos Açores só podem entrar em vigor em 2025
7 de mai. de 2024, 17:21
— Lusa
“Em
fevereiro, que foi quando decorreu o concurso para o pessoal docente,
nós não estávamos em funções e, portanto, era impossível termos a
regulamentação nessa altura a tempo de criarmos os incentivos à fixação,
até porque, como o orçamento caiu, nós não tínhamos dotação orçamental
nem mesmo por duodécimos. A rubrica não estava criada”, explicou Sofia
Ribeiro aos jornalistas.A secretária
regional da Educação, Cultura e Desporto falava, em Angra do Heroísmo,
na ilha Terceira, depois de uma reunião de mais de três horas com o
Sindicato dos Professores da Região Açores (SPRA), antes de ouvir também
o Sindicato Democrático dos Professores dos Açores (SDPA).A
proposta de orçamento da região para 2024 foi chumbada em novembro, com
os votos contra de PS, BE e IL e a abstenção de Chega e PAN, o que
levou o Presidente da República a convocar eleições antecipadas nos
Açores para fevereiro.A coligação
PSD/CDS/PPM voltou a tomar posse, em março, e já apresentou uma nova
proposta de orçamento, que deverá ser discutida e votada entre 21 e 24
de maio.Segundo Sofia Ribeiro, os
incentivos à fixação de professores, que podem passar por apoios
pecuniários ou à habitação, só poderão, no entanto, entrar em vigor
aquando da abertura dos próximos concursos interno e externo, o que
deverá acontecer em fevereiro de 2025.“É
nossa intenção, para o próximo concurso, podermos novamente reabrir este
processo. O que é facto é que para o próximo ano letivo já expiraram os
prazos”, avançou.Questionada sobre o
facto de o SPRA ter defendido o alargamento dos incentivos aos docentes
que já estão nas ilhas, a governante alegou que o objetivo é fixar
professores quando não existem.“O que o
estatuto prevê é um processo em que os professores que se queiram fixar
nas ilhas e nos grupos de recrutamento determinados como carenciados
tenham incentivos para poderem ser atrativos e efetivamente não a quem
já lá está, mas isso não quer dizer que seja apenas para professores
contratados, pode ser para professores do quadro que queiram fazer a sua
mobilidade”, apontou.Quanto à
possibilidade de ser apoiada a criação de mestrados de ensino em regime
b-learning, também reivindicada pelo SPRA, Sofia Ribeiro manifestou
abertura, mas disse que depende da vontade da Universidade dos Açores.“Nós
estamos totalmente disponíveis para que isso possa acontecer, mas a
universidade é que define quais serão os critérios de criação dos seus
cursos e de gestão dos seus recursos humanos”, justificou.A
governante admitiu que há “uma falta generalizada de professores”, mas
fez um balanço positivo do protocolo com a Universidade dos Açores, que
permitiu a reabertura de mestrados de ensino na região.“Sem
dúvida que é uma aposta que foi ganha, porque nem que fosse por mais um
docente com a devida habilitação, estávamos a precisar dele. O que
acontecia é que a Universidade dos Açores já tinha encerrado os seus
mestrados via ensino nestes cursos, que são altamente carenciados”,
afirmou.Sofia Ribeiro revelou que já há mestrandos desses cursos a fazer estágios com acompanhamento nas escolas açorianas.“Fizemos
a revisão do estatuto da carreira docente para que esses alunos possam
estar nas escolas como professores e com outra situação remuneratória,
muito mais apetecível do que era no passado e do que é noutros pontos do
país e que se vai manter” sublinhou.