Incêndio que consome Parlamento sul-africano na Cidade do Cabo volta a ganhar intensidade
3 de jan. de 2022, 17:32
— Lusa/AO Online
Uma
nuvem espessa de fumo estava, pelas 18h00 locais (menos três horas nos Açores), a sair dos telhados do edifício vitoriano imponente e as chamas
voltaram a ser visíveis, de acordo com jornalistas da agência
France-Presse (AFP) no local. "O incêndio
recomeçou no telhado do edifício da Assembleia Nacional", que foi
completamente destruído pelas chamas no dia anterior, conformou à AFP o
porta-voz dos bombeiros da cidade, Jermaine Carelse.O
incêndio estava sob controlo e apenas uma dúzia de bombeiros ainda se
encontrava no local a fazer o rescaldo de algumas zonas. Aquele
contingente foi entretanto reforçado e, tal como no dia anterior, o
combate ao fogo está a ser feito também com a partir de cima, com o
recurso a gruas.Este incêndio começou no domingo, na ala mais antiga
do edifício - concluído em 1884, que contém cerca de 4.000 obras de
arte, algumas datadas do século XVII, e património valioso -, cujo
telhado foi completamente destruído. O
hemiciclo onde deliberavam os deputados à câmara baixa do parlamento foi
destruído, assim como vários gabinetes, confirmaram hoje fontes
oficiais sul-africanas. "Podemos confirmar
que uma das maiores perdas no incêndio é a queima completa da câmara da
Assembleia Nacional", câmara baixa do parlamento, informou Amos
Masondo, presidente do Conselho Nacional das Províncias (Senado
Sul-Africano), numa conferência de imprensa. A
temperatura no interior em alguns locais do edifício era ainda de cerca
de 100 graus centígrados ao início da tarde, segundo a ministra das
Infraestruturas, Patricia de Lille, pelo que a extensão real dos danos
está por avaliar. As equipas de
engenheiros e especialistas destacados para o local esperam ter um
relatório preliminar sobre as circunstâncias do incêndio até à próxima
sexta-feira, segundo Lille. Uma pessoa
foi, entretanto, detida por suspeitas de ligação à origem do incêndio.
Trata-se de um homem de 49 anos, que foi visto pelos serviços de
segurança dentro do edifício do parlamento e apanhado com artigos
roubados, informaram as forças de segurança numa declaração no domingo à
noite. O suspeito detido comparecerá
perante um juiz esta terça-feira e enfrenta acusações de arrombamento,
roubo e fogo posto num local de importância nacional. Segundo a imprensa local, o suspeito terá tido acesso aos edifícios através de uma janela. Sobre
esta detenção, Mapisa-Nqakula explicou que o relatório da polícia sobre
a detenção ainda não está disponível, mas sublinhou que o incêndio
constituiu um "ataque" deliberado ao parlamento, e assume-se como uma
"ameaça" à democracia da África do Sul. As
autoridades sul-africanas acreditam que o incêndio começou no edifício
mais antigo do complexo da Assembleia Nacional (a "Velha Assembleia"),
concluído em 1884, e depois alastrou-se à ala mais recente, que alberga a
atual câmara baixa e os seus gabinetes. Estão
igualmente em curso investigações sobre, por exemplo, por que razão os
sensores de incêndio foram lentos a responder, segundo Patricia de
Lille, em declarações no domingo. Os
aspersores anti-incêndio também não funcionaram porque, alegadamente, a
válvula de água que alimentava o sistema estava fechada. De
Lille confirmou hoje que as câmaras de segurança estavam a funcionar
nas primeiras horas do incidente e que a polícia está a monitorizá-las. Este
é o segundo incêndio neste edifício em menos de um ano. Em março de
2021, um outro incêndio deu origem a um relatório que concluiu com a
necessidade de melhorar as medidas de segurança do edifício,
consideradas inadequadas.