Incêndio no Hospital de Ponta Delgada é oportunidade para dotar Açores de “infraestrutura moderna”
Hoje 14:41
— Lusa/AO Online
Em carta
aberta, o Conselho Médico da Secção Regional dos Açores da Ordem dos
Médicos considera que o incêndio ocorrido no Hospital do Divino Espírito
(HDES) “constituiu um dos acontecimentos mais marcantes e traumáticos
da história recente da saúde nos Açores”.O
encerramento súbito do “principal hospital da Região Autónoma colocou à
prova profissionais, instituições e toda a comunidade açoriana,
exigindo uma resposta rápida, resiliente e profundamente dedicada à
manutenção da assistência aos doentes”. O
organismo representativo dos médicos considera que “a reabilitação do
HDES não pode, nem deve, ser encarada como uma mera reparação estrutural
do edifício existente”.“O momento que
atravessamos representa uma oportunidade histórica para dotar os Açores
de uma infraestrutura hospitalar moderna, segura, resiliente e preparada
para responder às exigências atuais e futuras da medicina”, defende a
Ordem dos Médicos.De acordo com o Conselho
Médico, o projeto de reabilitação apresentado “procura precisamente
cumprir esse objetivo de recuperar a capacidade assistencial perdida,
corrigir fragilidades estruturais previamente existentes, atualizar o
hospital de acordo com as normas técnicas contemporâneas e ampliar áreas
críticas indispensáveis ao funcionamento de uma instituição hospitalar
diferenciada do século XXI”.Para os
médicos dos Açores, “modernizar e ampliar infraestruturas hospitalares
não constitui um luxo, nem um exercício político”, mas sim “uma
obrigação técnica, ética e de segurança para com os doentes e para com
os profissionais que diariamente ali trabalham”.O
Conselho Médico refere que vê “com preocupação a crescente disseminação
pública de interpretações incompletas, distorcidas ou politicamente
instrumentalizadas relativamente ao projeto de reabilitação do HDES”.“O
debate público é legítimo e desejável numa sociedade democrática.
Contudo, quando esse debate assenta em desinformação, simplificação
técnica ou rivalidades territoriais, corre-se o risco de fragilizar um
processo que deveria unir a região em torno de um interesse comum:
garantir cuidados de saúde seguros e de qualidade para todos os
açorianos”, defende aquele organismo.A Ordem refere que a saúde “não pode ser reduzida a disputas político-partidárias ou a lógicas de competição interilhas".Para
os médicos, “defender a reabilitação qualificada do HDES não significa
diminuir qualquer outra unidade de saúde da região, mas reconhecer a
realidade assistencial existente, a diferenciação técnica necessária e a
responsabilidade de garantir respostas adequadas à população açoriana”.