Impunidade nos assassinatos de jornalistas está a aumentar
Hoje 17:08
— Lusa/AO Online
Este ano, “a taxa geral de impunidade dos assassinatos de jornalistas aumentou um ponto percentual, atingindo os 86%”, refere o relatório. Desde 2012, esta taxa vinha a diminuir constantemente, caindo do seu registo de 95% para 85% em 2024. A taxa de impunidade inclui os assassinatos cujas investigações não foram concluídas ou ainda estão em curso. Seis em cada sete autores de assassinatos de jornalistas terão escapado à justiça. “As investigações e os processos relativos aos assassinatos de jornalistas em zonas de guerra continuam a ser particularmente inadequados”, destacou a Diretora-Geral Adjunta da UNESCO para a Comunicação e Informação, Mariya Gabriel.Esclarecendo que a organização internacional "não é um tribunal", a responsável garantiu que esta "está a pressionar o sistema judicial para garantir que a justiça é feita".O relatório, publicado de dois em dois anos, contabiliza 189 jornalistas, profissionais dos media e criadores de conteúdos para redes sociais envolvidos em atividades jornalísticas que foram mortos em 2024 e 2025, incluindo 14 mulheres.O número de jornalistas mortos subiu entre 01 de janeiro de 2024 e 31 de janeiro de 2025, um aumento de 20% em relação ao biénio anterior.Este aumento é atribuído a uma onda de assassinatos em zonas de conflito, particularmente na Palestina, informou esta segunda-feira a UNESCO.Nesta nova edição do relatório sobre a segurança dos jornalistas e a impunidade dos crimes contra os mesmos, a Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura apurou que 92 jornalistas foram mortos em 2024 e 97 em 2025.As mortes em zonas de conflito durante este biénio representaram 127 (67% do total), aprofundando a tendência de subida iniciada em 2023 e amplamente relacionada com os ataques com drones, responsáveis por mais de um quarto de todas as mortes.Nas zonas de guerra, registou-se um aumento do número de jornalistas mortos "em grupo", o que pode indicar que foram "alvos deliberados", um "crime de guerra", considerou Mariya Gabriel.Este é o período de dois anos mais mortal para os jornalistas nos últimos 10 anos.Dois terços deles (67%) foram mortos em zonas de conflito, como nos territórios palestinianos, no Iémen ou na Ucrânia.“Isto marca uma grande mudança no panorama global dos riscos para os jornalistas”, afirma Mariya Gabriel.A organização sublinha que os jornalistas continuam a ser mortos nas suas casas ou enquanto usam coletes que identificam a sua profissão.Um total de 1.641 jornalistas foram mortos em todo o mundo desde 2006, quando a UNESCO iniciou a sua monitorização, o que representa uma média de uma morte a cada quatro dias.Alguns números relatados pela UNESCO neste relatório diferem dos publicados pelo Comité para a Proteção dos Jornalistas ou pela organização Repórteres Sem Fronteiras.A UNESCO explica estas diferenças citando "as circunstâncias de uma morte, que por vezes são difíceis de avaliar devido à natureza em constante evolução dos conflitos".Para além das mortes, os riscos para os jornalistas também aumentaram com a deterioração geral da liberdade de imprensa em todo o mundo, com um aumento de ataques, assédio judicial (por exemplo, processos abusivos), detenções arbitrárias e intimidação.De acordo com os dados recolhidos por organizações da sociedade civil e divulgados pela UNESCO, entre 98 e 160 jornalistas desapareceram entre 2024 e 2025.As detenções, segundo dados dos Repórteres Sem Fronteiras e do Comité para a Proteção dos Jornalistas (CPJ), variaram entre 938 (segundo a RSF) e 466 (CPJ).