Impacto dos conflitos em 2024 “sem precedentes” para crianças
29 de dez. de 2024, 16:16
— Lusa
"Em
quase todos os indicadores, 2024 foi um dos piores anos da história da
UNICEF para as crianças que vivem em zonas de conflito, tanto devido ao
número de pessoas afetadas como à magnitude do impacto que estes
conflitos têm nas suas vidas", disse na sexta-feira a diretora executiva
da organização.Em comunicado, Catherine
Russell defendeu que não é possível “permitir que toda uma geração de
crianças se torne vítimas colaterais das guerras descontroladas que
assolam o mundo”.De acordo com os dados da
UNICEF, um número recorde de mais de 473 milhões de crianças –
aproximadamente uma em cada seis no mundo – vivem atualmente em zonas
afetadas por conflitos, um aumento significativo nas últimas décadas.No final de 2023, o número de crianças deslocadas devido a conflitos e violência era de 47,2 milhões.As
tendências em 2024 revelam um novo aumento do número de crianças
deslocadas devido à intensificação dos conflitos, especialmente na
Palestina, no Haiti, no Líbano, no Myanmar (antiga Birmânia) e no Sudão.De
acordo com os dados referentes a 2023, os mais recentes, a ONU detetou
um total de 32.990 violações graves cometidas contra 22.557 crianças, o
número mais elevado desde que a monitorização começou, sob o mandato do
Conselho de Segurança.“As crianças que
vivem em zonas de guerra lutam todos os dias para sobreviver e isso
rouba-lhes a infância”, sublinhou Russell, lamentando que “as suas
escolas sejam bombardeadas, as suas casas destruídas e as suas famílias
devastadas”.“Não só estão privadas da
segurança e da possibilidade de satisfazer as suas necessidades vitais
básicas, mas também da oportunidade de brincar, aprender ou desfrutar da
sua infância. O mundo está a deixar estas crianças de lado”, afirmou a
dirigente.A UNICEF apelou ainda a todas as
partes envolvidas em conflitos para que tomem medidas para pôr fim ao
“sofrimento” das crianças e garantir o respeito pelos seus direitos ao
abrigo do direito internacional humanitário.