Imagens de satélite mostram preparativos russos para defender Crimeia

12 de abr. de 2023, 17:49 — Lusa

As imagens mostram que, entre fevereiro e março, a fronteira da Crimeia e as áreas circundantes foram transformadas numa “barreira fortificada antes de uma esperada contraofensiva de primavera pelas forças ucranianas”.“Em particular, uma extensa rede de trincheiras e defesas foi construída e estende-se agora através das aldeias fronteiriças da Crimeia”, disse a cadeia televisiva com sede no Qatar.No mesmo período, a Rússia também construiu e expandiu várias bases militares na região, segundo as imagens de satélite fornecidas pela empresa norte-americana Planet.com.A Ucrânia foi novamente invadida pela Rússia em 24 de fevereiro de 2022, e, desde então, Moscovo declarou as regiões de Kherson, Zaporijia, Donetsk e Lugansk como parte do território da Federação Russa.As autoridades de Kiev têm afirmado que o fim da guerra iniciada por Moscovo há 13 meses passa pela recuperação das fronteiras de 1991.Especialistas que viram as imagens admitiram à Al Jazeera que as barreiras russas poderão dificultar e tornar dura uma ofensiva para reconquistar a Crimeia.As fotografias tiradas pelos satélites mostram ainda que nenhuma das trincheiras estava finalizada, o que pode indiciar falta de mão-de-obra, segundo a Al Jazeera.“Todas [as imagens] indicam trabalho em curso, uma vez que as redes de trincheiras não estão ligadas e faltam trincheiras de comunicações completas”, disse Zev Faintuch, analista de segurança da empresa Global Guardian.Em setembro, o comandante-chefe das forças armadas ucranianas, general Valery Zaluzhnyi, e o tenente-general Mykhailo Zabrodskyi escreveram um documento de estratégia em que descreveram a Crimeia como “o centro de gravidade” da invasão russa da Ucrânia.Consideraram também a Crimeia como um território que permitiria sempre à Rússia ameaçar a Ucrânia.“A Crimeia foi e continua a ser a base para linhas de comunicação no flanco estratégico sul da agressão russa”, escreveram.Os dois generais defenderam, no documento, ser “lógico assumir o planeamento para 2023 de uma operação ou de uma série de operações para confiscar a península”.Defenderam ainda que as “armas modernas fornecidas pelos parceiros da Ucrânia” deveriam equipar as brigadas militares necessárias para uma ofensiva na Crimeia.Em finais de janeiro, os aliados ocidentais decidiram fornecer à Ucrânia armas ofensivas, prometendo 258 tanques de combate principais e centenas de veículos de combate blindados.O líder da Crimeia nomeado por Moscovo, Serguei Aksyonov, disse, na terça-feira, que a região está preparada para uma possível contraofensiva ucraniana.Aksyonov disse que as forças russas na Crimeia construíram “defesas modernas e profundas” e têm tropas e armamento “mais do que suficiente” para repelir qualquer ataque ucraniano.“Não podemos subestimar o inimigo, mas podemos definitivamente dizer que estamos prontos [para um ataque] e que não haverá nenhuma catástrofe”, disse Aksyonov, citado pela agência norte-americana AP.