Ilhéu de Vila Franca vai reabrir esta época balnear após fecho em 2025
Hoje 17:06
— Lusa/AO Online
Em
declarações à Lusa e a RTP à margem do Conselho Regional dos Ambiente e
do Desenvolvimento Sustentável, em Ponta Delgada, Alonso Miguel referiu
que vai ser possível “nesta época balnear reabrir os banhos do ilhéu de
Vila Franca”, o que considerou “bastante satisfatório”, face à sua
importância para os locais e turistas.O
secretário regional do Ambiente e Ação Climática recordou que “havia um
compromisso por parte do Governo Regional de continuar a monitorizar e a
fazer os trabalhos na zona balnear”, tendo sido desenvolvidas análises
às águas, em conjunto com a Agência Portuguesa do Ambiente (APA), das
quais “resultou a classificação de aceitável”.O
ilhéu de Vila Franca do Campo, classificado como reserva natural e que
integra a Rede Natura 2000, esteve interditado a banhos no verão de
2025, devido aos resultados da qualidade da água dos últimos cinco anos,
tendo sido permitida apenas a visitação.“Se
a análise fosse feita relativamente a 2025, a qualidade seria
excelente, mas do ponto de vista das obrigações legais tem que
considerar os efeitos dos últimos cinco anos e o somatório revela uma
qualidade aceitável”, explicou o governante.Alonso
Miguel adiantou que a exploração da ligação marítima de Vila Franca do
Campo ao ilhéu vai manter-se nos mesmos moldes, continuando a ser
assegurada pelo Clube Naval local, enquanto a capacidade de carga será
de 400 pessoas por dia, com 200 pessoas em simultâneo no interior da
cratera. A primeira classificação negativa
da qualidade das águas do ilhéu ocorreu em 2020 e no ano seguinte foi
criado um grupo de trabalho, que integrou representantes do Governo
Regional, do município de Vila Franca do Campo e da delegação de saúde,
entre outras entidades.Em abril de 2025,
um grupo de cidadãos defendeu a implementação urgente de medidas para
mitigar o impacto da interdição a banhos do ilhéu, alertando que a
reserva natural é um "pilar económico e social" da comunidade.Conforme
referiram, estima-se que durante os quatro meses da época balnear o
ilhéu "receba entre 35.000 e 40.000 visitantes", o que corresponde a uma
receita direta de "aproximadamente 360.000 euros provenientes apenas da
venda de bilhetes”.No entanto,
consideraram que o impacto económico real do ilhéu “vai muito além da
bilhética”, destacando que a maioria dos visitantes consome refeições em
restaurantes e cafés de Vila Franca do Campo, adquire produtos em lojas
locais, utiliza serviços de empresas turísticas e, em muitos casos,
opta por pernoitar em unidades de alojamento local."Com
base em estimativas conservadoras de consumo médio por visitante (entre
40 euros e 60 euros), estima-se que o impacto económico global
associado à presença do ilhéu ultrapasse os 3,5 milhões de euros por
época balnear", realçaram.Com vista a
recuperar a vegetação nativa e melhorar o habitat das aves marinhas,
este ilhéu foi intervencionado ao abrigo do Projeto LIFE “Ilhas
Santuário para Aves Marinhas”.Este ilhéu,
inicialmente classificado como Reserva Natural em 1983, integra a Área
Protegida para a Gestão de Recursos da Caloura – Ilhéu de Vila Franca do
Campo, a Zona de Reserva Integral de Captura de Lapas e o programa
ambiental Biótopo CORINE. A geopaisagem constitui ainda um geossítio do Açores Geoparque Mundial da UNESCO.