Ilha Terceira vai ter mini-fábrica de laticínios para investigação
17 de nov. de 2021, 11:19
— Lusa/AO Online
“Será
uma mini-fábrica para testar os nossos produtos que ainda estão num
protótipo numa escala laboratorial, para passar para uma escala
semi-industrial”, explicou, em declarações aos jornalistas, a
investigadora Célia Silva, do Instituto de Investigação em Tecnologias
Agrárias e do Ambiente da Universidade dos Açores.O
Terinov está em funcionamento desde 2019, mas o Laboratório de Inovação
em Produtos Lácteos ainda não está totalmente equipado.A
secretária regional da Cultura, Ciência e Transição Digital, Susete
Amaro, disse que os equipamentos para a “mini-fábrica” deverão ser
instalados “em breve”.“Estamos já com o
processo a decorrer. Temos um investimento previsto à volta de meio
milhão de euros e, muito em breve, teremos os equipamentos aqui prontos a
ser instalados”, avançou, à margem de uma visita ao local.Questionada
sobre o atraso, Susete Amaro lembrou que o Governo Regional da
coligação PSD/CDS/PPM tomou posse em novembro de 2020, mas admitiu que o
primeiro concurso lançado por este executivo ficou deserto.“Colocámos
os equipamentos a concurso. Numa fase inicial o concurso ficou deserto,
mas agora vamos proceder a um novo lançamento por ajuste direto e, à
partida, estamos a contar muito em breve ter tudo a funcionar”,
adiantou.O Governo Regional tem um protocolo com a Universidade dos Açores, que é responsável pela gestão do espaço.Desde
setembro que estão já instalados alguns equipamentos no laboratório,
utilizados pelo grupo de ciência dos alimentos e saúde do Instituto de
Investigação em Tecnologias Agrárias e do Ambiente da Universidade dos
Açores.“Precisamos da parte mais
industrial. Está projetada uma linha de produção de queijo e uma linha
de produção de iogurtes para testarmos os nossos produtos”, salientou
Célia Silva.Para além da investigadora da
Universidade dos Açores, a equipa integra duas alunas de doutoramento e
uma de pós-doutoramento, que estão a trabalhar em três linhas de
investigação, nas instalações da academia açoriana em Angra do Heroísmo e
no laboratório do Terinov.Entre os
produtos em investigação está, por exemplo, “uma película comestível
para o queijo fresco e para o queijo maturado, que possui bactérias que
impedem o crescimento de outras bactérias patogénicas e de fungos
deteriorantes”.Está também a decorrer uma
investigação sobre “os polissacáridos produzidos pelas bactérias
isoladas” do queijo de São Jorge e do queijo do Pico, que podem
funcionar como probióticos e melhorar a textura de iogurtes e gelados.Em
colaboração com uma unidade de produção de laticínios da ilha Terceira,
as investigadoras estão também a desenvolver “produtos probióticos com
bactérias que têm efeitos benéficos na saúde”.“Quando
nós propusemos este projeto à Quinta dos Açores, eles foram muito
recetivos e mostraram-se muito interessados e, por isso, temos este
projeto em colaboração com eles”, salientou Célia Silva.