Ilhas e regiões ultraperiféricas na “linha da frente” da transição energética
Hoje 15:55
— Lusa/AO Online
Segundo uma
nota do executivo açoriano de coligação PSD/CDS-PP/PPM, Artur Lima
participou, como orador, na qualidade de vice-presidente da Conferência
das Regiões Periféricas Marítimas (CRPM), com o pelouro da energia, no
seminário "Eletrificação dos sistemas regionais de energia e
transportes: situação atual, desafios e vias a seguir", em Lahti, na
Finlândia.O governante, citado no
comunicado, referiu que as ilhas e as Regiões Ultraperiféricas “estão na
linha da frente da transição, sendo frequentemente pioneiros em
sistemas energéticos isolados e micro redes”, apresentando o caso dos
Açores como região que tem apostado cada vez mais na sua independência e
transição energéticas.Artur Lima alertou,
no entanto, que as ilhas e demais regiões periféricas marítimas, “sem
apoio específico, enfrentam o risco de ficarem isoladas energeticamente,
pelo que deve ser assegurado que o afastamento geográfico não conduz à
exclusão económica, nem acentua as disparidades territoriais”.No
seminário, o vice-presidente do Governo Regional açoriano abordou a
eletrificação em curso nos sistemas europeus de transporte, indústria e
aquecimento.“A eletrificação já não é
apenas uma componente da transição energética. É um alicerce da
transformação económica da Europa sobre o qual construiremos a nossa
ambição climática, a nossa competitividade industrial e, acima de tudo, a
coesão territorial”, disse.Apontou depois
que esta transformação “não é abstrata”: “Concretiza-se no terreno, nos
nossos portos, nas nossas cidades e nas nossas zonas rurais,
apresentando desafios específicos para as nossas ilhas e Regiões
Ultraperiféricas”, como é o caso dos Açores.Perante
“um aumento sem precedentes da procura, exige-se mais do que um simples
acelerar de licenciamentos. Exige-se uma coordenação fundamental entre o
planeamento de longo prazo e a implementação local”, salientou.Para Artur Lima, “a eletrificação é europeia na ambição, mas local na implementação”.O
governante referiu-se também às três prioridades estratégicas definidas
pela CRPM: a integração de sistemas através do reforço de redes,
devendo ser considerados investimentos específicos para ilhas e regiões
periféricas; a garantia do envolvimento das regiões no desenho de
soluções energéticas; e a promoção de uma governação territorial que
tenha em conta o contexto marítimo e as especificidades das Regiões
Ultraperiféricas.A nível europeu, “deverá
ser garantido que a eletrificação reforça a coesão, e não a
fragmentação, e que promove a competitividade, sem agravar
desigualdades”, defendeu.O seminário
realizado na Finlândia reuniu responsáveis e especialistas dos setores
da energia e dos transportes da CRPM para debater estratégias regionais e
os desafios atuais e futuros.