4 de abr. de 2020, 18:47
— Tatiana Ourique/ Açoriano Oriental
Numa altura em que o São João e muitas outras
festas populares terceirenses são canceladas as costureiras veem o seu volume
de trabalho reduzido de forma drástica e preocupante. Mas essa ansiedade não impediu
que as costureiras e amantes de costura se juntassem numa missão solidária para
oferecer kits de proteção individual aos profissionais de saúde do HSEIT que
combatem na dianteira a pandemia mundial do Covid-19.
A iniciativa partiu da empresa familiar Modelina
Tecidos, formada há 33 anos na Praia da Vitória por Roberto Toste, Delmina
Aguiar e Clotilde Fagundes e que atualmente exporta para diversas ilhas
açorianas.
O Açoriano Oriental conversou com Miriam
Toste, de 28 anos, filha de Roberto e Delmina. A jovem praiense cresceu entre
rolos de tecido e hoje dedica também a vida ao negócio dos pais e teve sempre
gosto por trabalhos manuais e de costura. “No início realizava trabalhos da
minha autoria para rainhas de festas populares, marchas, bailinhos e danças. No
entanto, com o aumento do trabalho na empresa e com o meu maior envolvimento na
gerência, acabei por deixar essa área para trás apesar de ainda gostar muito de
acompanhar o processo de criação de vestuário e acessórios de cada grupo”.
Depois do fecho das duas lojas da empresa
nas duas cidades da ilha “tivemos que ficar de quarentena e quisemos ajudar os
profissionais de saúde ao mesmo tempo que ocupávamos os nossos dias”.
A iniciativa é solidária, de
sensibilização e em simultâneo pretende divulgar a marca Modelina Tecidos: “Foi
uma maneira de sensibilizar as pessoas, através do Facebook, a ficarem em casa
e perceberem a realidade e a necessidade do hospital. É também uma forma de
promover a página da loja e o trabalho que fazemos nesta quarentena”.
O
contacto com o Hospital da ilha Terceira surge, estranhamente, através de uma
intermediária no continente: “Soubemos
através de uma prima que vive no Porto- e que á distância também faz parte
deste negocio familiar- e que tem colegas médicas na ilha Terceira. Conseguimos
o contacto com a pessoa responsável por este equipamento e pusemos mãos á obra”.
O Hospital já tinha uma
quantidade considerável de TNT (tecido não tecido) armazenado para a produção
dos equipamentos e Miriam achou que devia pedir ajuda: “decidi falar com uma
cliente que também ajudava nestas causas para se juntar a mim e depois foram-se
juntando mais pessoas”
Mas foi a publicação no Facebook que os
contactos foram em massa: “surgiram imensas mensagens e telefonemas… Até à data
contamos com a ajuda de 35 pessoas de toda a ilha Terceira”.
Estão a ser confecionadas cogulas e cobre
botas com o material fornecido pelo HSEIT, com gramagem especifica para esta
funcionalidade e em breve deverão chegar mais 500 metros de TNT doados por 3
instituições – a Academia do Bacalhau da Ilha Terceira, Associação a
Fraternidade que nos Une-FraterUne e a Casa do Povo de São Bartolomeu- que me
contactaram após a publicação no Facebook. “O plano é preparar o material em
forma de kits, com moldes e indicações, para entregar a cada costureira de
forma a que todos os equipamentos sejam produzidos de forma idêntica”, refere
Miriam Toste.
Até à data, já foram entregues ao HSEIT
cerca de 230 conjuntos (1 cogula e 1 par de cobre botas) e o grupo de
voluntárias espera totalizar cerca de 500 conjuntos.Fotos:
FraterUne e Modelina Tecidos