Ilha de São Jorge vai ter estação permanente de medição de dióxido de carbono
Açores/Sismos
5 de abr. de 2022, 16:19
— Lusa/AO Online
"O
CIVISA planeia instalar, provavelmente no início da próxima semana, uma
estação de medição de fluxo de dióxido de carbono dos solos em regime
permanente. Estamos a fazer perfis diários. Temos três estações de radão
instaladas, mas estamos na fase de trazer para São Jorge uma estação
permanente de dióxido de carbono", afirmou a coordenadora das operações
do CIVISA na ilha de São Jorge, Fátima Viveiros.No
‘briefing’ diário para atualização da crise sismovulcância que se
regista há mais de duas semanas naquela ilha açoriana, Fátima Viveiros
sublinhou que a rede de estações sísmicas "tem vindo a ser incrementada
de acordo com os meios disponíveis"."Estamo-nos a adaptar à situação diária", sublinhou a investigadora.A
coordenadora das operações adiantou que, na "segunda-feira à tarde, o
CIVISA instalou uma câmara ‘web’ na zona do Terreiro da Macela e, hoje
ou na quarta-feira, será instalada outra nas Velas “para visualização da
costa sul"."O terreiro da Macela é uma
zona alta que permite ver a zona central da ilha de São Jorge, portanto,
o complexo fissural das Manadas alinhado. É uma das zonas centrais",
justificou.Estas câmaras permitem o acompanhamento de "qualquer modificação" que ocorra na paisagem, acrescentou. No
mesmo 'briefing' o presidente do Serviço Regional de Proteção Civil e
Bombeiros dos Açores reforçou o apelo para que a população se mantenha
atenta."Nem estes aumentos devem alarmar
as pessoas, nem os decréscimos devem relaxar as pessoas. É manter o
registo que têm mantido, acatar as informações e recomendações das
entidades oficiais", disse Eduardo Faria, referindo-se ao fato de ter
havido, entre as 00h00 e as 10h00 da manhã de hoje, "um registo acima"
do de segunda-feira.Eduardo Faria informou
que "está quase terminado o reconhecimento dos portos utilizáveis em
toda a ilha, portinhos, fajãs e caminhos" para uma eventual evacuação,
um trabalho efetuado pelos elementos das Forças Armadas, em concreto
pelos fuzileiros da Marinha, através de drones.O
Comando Operacional dos Açores tem ainda apoiado o Serviço Regional de
Proteção Civil com meios e sistemas aéreos não tripulados no
reconhecimento de portos ao redor da ilha de São Jorge."Neste
momento, temos um reconhecimento em pormenor, os locais estão
identificados. Desde o acesso, assim como ao nível de condições
operacionalidade com diferentes condições meteorológicas que possam
ocorrer", em caso de uma evacuação da ilha, explicou aos jornalistas o
tenente-coronel Rui Costa, do Comando Operacional dos Açores.Segundo
Rui Costa, "em grande parte" do lado sul "já foi realizado" este
reconhecimento em pormenor, estando a ser "terminado o lado norte" da
ilha."Durante o dia de hoje temos mais
dois reconhecimentos (na Fajã das Pontas e a Fajã dos Cubres) e na
quarta-feira continuamos e mantemos o ponto de Reunião e Irradiação de
Desalojados já pronto e ativo, se for necessário para o Serviço Regional
de Proteção Civil", detalhou. Cerca de
2.500 pessoas já saíram do concelho das Velas, centro da crise sísmica,
das quais 1.500 para outras ilhas dos Açores, e as restantes para o
concelho vizinho da Calheta, considerado mais seguro pelos
especialistas.A ilha mantém o nível de
alerta vulcânico V4 (ameaça de erupção) de um total de sete, em que V0
significa “estado de repouso” e V6 “erupção em curso”.