Ilha das Flores regressa à normalidade com novas rotinas
Covid-19
25 de mai. de 2020, 16:02
— Susete Rodrigues/AO Online
O regresso à ‘nova normalidade’ implica novas rotinas e
para a população das Flores, que ronda os 3793 habitantes (de acordo com
os censos de 2011) e reparte-se pelos dois concelhos, Santa Cruz e
Lajes das Flores, a adaptação não foi difícil. Um pouco apreensivo no
início, como refere Luís Maciel, presidente da Câmara Municipal das
Lajes das Flores mas que não passou disso mesmo: “Houve alguma apreensão
com as novas regras, nomeadamente o uso de máscara, o distanciamento,
mas de uma forma geral tem corrido dentro bem e com serenidade”. Também
a população do concelho de Santa Cruz das Flores aceitou bem as novas
normas. José Pimentel Mendes, presidente da autarquia, afirma que “tem
sido um regresso normal e não tivemos nenhuma situação complicada. A
população adaptou-se às medidas de proteção individual, as pessoas
interiorizaram que é mesmo necessário porque a sua proteção é a proteção
dos outros e só temos que elogiar a população porque estão sensíveis a
essas normas”.Nas Flores já reabriram todos os serviços municipais,
bem como os serviços da administração regional, escolas, creches,
jardins de infância, espaços culturais, de restauração e hotelaria. E é
precisamente nesse setor que ambos os autarcas apontam as maiores
dificuldades. Em Santa Cruz “cafés, restaurantes e hotéis está tudo
aberto mas o turismo não existe”, sustenta José Pimentel Mendes,
relembrando que “o espaço aéreo está fechado e muito bem mas é evidente
que tem as suas consequências e essas refletem-se através do pouco
movimento na restauração”. Por isso, diz que é “necessário acompanhar
essa situação de perto e apoiar todas essas empresas porque são elas que
dinamizam a economia do concelho e criam emprego”. “Sabemos que este
verão vai ser uma época difícil mas estamos esperançosos que as coisas
vão melhorar. Vamos conseguir superar esta situação e no próximo verão
as coisas estarão bem melhores”, sublinha José Pimentel Mendes. As
medidas de apoio do Governo Regional “apesar de não serem suficientes
têm ajudado muito e têm sido muito importantes. Até este momento não tem
havido muita contestação em relação a esses apoios”, refere o
presidente da Câmara de Santa Cruz, alertando que agora “temos que
pensar como vai ser no futuro porque ainda temos muito caminho para
percorrer e é por isso temos que dirigir o nosso foco para este período
que ai vem”.Nas Lajes das Flores, os empresários do setor da
restauração, hotelaria e do comércio estão a tentar adaptar-se às novas
medidas: “O que temos visto, por parte das empresas, é essa vontade de
se adaptarem e tem havido um grande empenho”, refere Luís Maciel,
acrescentando que “esses setores vão sofrer um impacto grande a nível
económico porque, à semelhança das outras ilhas e do país, o turismo tem
um peso importante no concelho e na ilha e este está a fazer-se sentir e
vai fazer-se sentir ainda mais daqui para a frente”. Luís Maciel
recorda que o concelho das Lajes é pequeno e a maioria das empresas
são de pequena dimensão, “muitas delas são familiares e penso que todas
fizeram um esforço muito grande para manterem os postos de trabalhos e
agora estão a retomar a sua atividade por forma a que consigam
ultrapassar essa fase”.Com a reposição das ligações marítimas entre
as Flores e Corvo, falta regressar a operação aérea de passageiros, o
que poderá acontecer no próximo mês de junho. Questionados se receiam
este regresso, ambos respondem afirmativamente, contudo, também são de
opinião que não poderão isolar-se e há que abrir a ilha à economia.José
Pimentel Mendes, classifica o cancelamento da operação aérea da SATA
como uma das medidas mais eficazes que foi tomada no início do surto nos
Açores, mas sublinha que “não podemos viver internamente numa bolha e
isolados. Efetivamente preocupa-me o regresso dos voos. Vai expor-nos e
numa ilha pequena como a nossa e com poucos recursos se as coisas
complicarem-se será sempre mais difícil, dai a nossa apreensão com o
regresso da operação da SATA”. Porém, “esperamos que continue a existir
algumas restrições e controlo porque se assim não for, todo o sacrifício
que foi feito pode ir todo por água abaixo”.Luís Maciel relembra
que as Flores conseguiram manter-se sem casos positivos de Covid-19
muito porque as ligações aéreas foram interrompidas, o “que nos deu uma
grande proteção. Claro que o regresso das ligações aéreas poderá
aumentar o risco de casos mas, por outro lado, as empresas e todo o
funcionamento da ilha precisa de ligações, principalmente os sectores
que vivem do turismo”. O autarca das Lajes alerta ser “fundamental que
se encontre um equilíbrio para que consigamos controlar a entrada de
pessoas, através da realização de testes ou de outros mecanismos que
permitam que haja controlo e que possamos abrir gradualmente a nossa
economia. Penso que vai ser necessário compatibilizar a reabertura com a
manutenção da segurança”.