IL vota contra na generalidade e critica falhas de credibilidade, honestidade e ambição
OE2022
28 de abr. de 2022, 11:55
— Lusa/AO Online
Em
declarações aos jornalistas nos passos perdidos na Assembleia da
República e horas antes de começar o debate do OE2022 na generalidade,
João Cotrim Figueiredo anunciou o sentido de voto decidido pelo grupo
parlamentar liberal.De acordo com o
presidente da IL, este documento apresentado pelo Governo do PS tem
“três falhas grandes”, que justificam esta decisão do partido: falha de
credibilidade, falha de honestidade e falha de ambição. Na
análise de João Cotrim Figueiredo, este orçamento “não é credível no
que diz respeito à quantificação”, considerando que “as previsões que o
Governo está a utilizar para basear este orçamento são claramente mais
favoráveis do que a generalidade das previsões que as instituições
internacionais apontam para as variáveis principais”.“Não
seria de espantar que num ano normal, se não estivéssemos a aprovar o
orçamento quase a meio do ano, fosse um daqueles anos onde a
probabilidade de haver um orçamento suplementar fosse enorme. Mesmo
assim, vamos ver”, afirmou.Já em termos de
honestidade, para o deputado liberal continua a dizer-se que o OE2022 é
“de desagravamento de carga fiscal para a classe média e que tenta pôr
Portugal a crescer”, mas “não é assim”.“Num
ano em que o Governo diz que vai desagravar fiscalmente a situação dos
portugueses vai cobrar - e repito isto pode estar suborçamentado - vai
cobrar mais 2600 milhões de euros de impostos do que cobrou em 2019, o
último ano pré pandemia”, criticou.A falha
de ambição, na opinião de João Cotrim Figueiredo, tem a ver com o facto
de este documento estratégico do Governo do PS não pôr Portugal a
crescer e não ter “uma única reforma estrutural em tudo aquilo que está
mais que identificado que Portugal precisa de evoluir” como a justiça,
sistema fiscal, educação e saúde.Depois da
generalidade do OE2022 – com aprovação garantida já que o PS tem
maioria absoluta – segue-se a especialidade, tendo o líder liberal
adiantado o que irá fazer o seu partido nessa fase. “Uma
é testar a famosa suposta disponibilidade para o diálogo que o PS diz
que tem, mas que na prática tem manifestado muito pouco e que já veio
até publicamente pela boca de alguns responsáveis dizer que não vai
mudar grande coisa nesta proposta inicial de orçamento”, adiantou.A
IL, segundo Cotrim Figueiredo, vai insistir “através das suas propostas
nas suas bandeiras” como a simplificação e desagravamento fiscais,
reformas estruturais dos serviços públicos e real liberdade de escolha
dos portugueses.Questionado sobre a forma
como o Governo iniciou este processo orçamental, o presidente da IL
concordou que "é um mau início de conversa" e que "desdiz toda a suposta
postura dialogante que o primeiro-ministro desde o dia das eleições
disse que ia ter"."Eu também acho que este
Orçamento do Estado para 2022 é um meio orçamento também nesse sentido.
Não é o orçamento que vai marcar o tom desta legislatura. Vamos ver o
que é que traz o OE de 2023 e se este Governo verdadeiramente vai
aproveitar o facto de ter deixado de depender do PCP e do BE", reiterou.