IL rompe acordo de incidência parlamentar com Governo dos Açores
8 de mar. de 2023, 13:46
— Lusa/AO Online
“A partir de hoje, depois de todos os esforços
que fizemos para que esse acordo pudesse ser levado até ao fim,
vemo-nos obrigados a dizer aos açorianos que a IL comunicará ao
Representante da República que se liberta do acordo de incidência
parlamentar que assinou com o PSD”, afirmou Nuno Barata numa intervenção
política no plenário da Assembleia Legislativa que decorre na cidade da
Horta, ilha do Faial.O deputado
justificou a decisão com a “força que os parceiros do PSD na coligação
de Governo fazem todos os dias para que nada mude e pela incapacidade
deste PSD em promover a devida estabilidade junto dos seus parceiros de
coligação”.“Este é um Governo que não precisa de oposição externa. A maior oposição a este Governo são os parceiros de coligação”, acusou.A
IL manifestou assim a indisponibilidade para “continuar a ser conotada”
com as “decisões erradas e comportamentos erráticos” do Governo, “que
se tem desdobrado em trapalhadas atrás de trapalhadas”.Para Barata, “a IL tudo fez para que o acordo fosse cumprido” e “o PSD não o soube honrar”.“Não
faz sentido a IL continuar a confiar num Governo em cuja maioria os
sociais-democratas desta região deixaram de acreditar e em que parte
significativa dos açorianos não conseguem vislumbrar soluções”, disse.“A IL pensou e acreditou que não precisava acautelar os parceiros de coligação de direita, mas afinal enganámo-nos”, frisou.Referindo-se
ao acordo com 10 pontos assinado com o PSD, Barata considerou que,
quanto ao modelo de governação, a região está “na mesma ou pior”, com
“nomeações de famílias e os cartões partidários” a “abrir portas dos
elevadores para os lugares mais apetecíveis da administração, enquanto o
elevador social continua avariado”.“A
distribuição de titulares por pastas para preencher cotas dos diferentes
partidos da coligação cria entropias ao funcionamento da governação”,
acusou.Barata referiu-se, ainda, à
“instabilidade política provocada ao PSD por parte dos seus parceiros de
coligação, associada a um PSD incapaz de gerir este processo em prol
dos açorianos, permitindo a promoção de clientelas partidárias para a
manutenção do poder”.Por outro lado, “em
vez de racionalizar e simplificar, o Governo complicou e acaba de criar
um novo serviço de ‘baby-sitting’, a Estrutura de Missão para o
Acompanhamento do Financiamento da Saúde nos Açores – EMAFIS”.De
acordo com Nuno Barata, a escolha do Governo para o Conselho de
Administração da EMAFIS “constitui uma afronta a todos os profissionais
do Hospital de Ponta Delgada e a todos os açorianos que assistiram a
essa novela de má qualidade que redundou na demissão da agora nomeada
[Cristina Fraga, ex-presidente da administração daquele hospital da ilha
de São Miguel]”.“A nova Secretária
Regional da Saúde ainda não tomou posse e já lhe meteram um fiscal à
perna, nomeado à pressa antes que se pudesse opor a tal nomeação”,
lamentou.Outro “novo serviço de
‘baby-sitting’ é a ‘task force’ anunciada para apoiar o Conselho de
Administração da Portos dos Açores, nas obras do Porto das Flores”,
acusou. “Trata-se, mais esta opção
governamental, de uma desconsideração pelos técnicos daquela empresa e
um atestado de férias permanente ao seu Conselho de Administração”,
frisou, considerando que as palavras deixadas pelo anterior secretário
da Saúde na apresentação da demissão “dizem tudo”.No
sábado, Clélio Meneses, que integrou as listas do PSD nas legislativas
de 2020, demitiu-se, invocando “razões exclusivamente políticas,
assentes em divergências insanáveis e inultrapassáveis, evidenciadas em
sucessivas ingerências no exercício do cargo […], dificultando, quando
não impedindo, o cumprimento da complexa missão de gerir o setor”.Os
três partidos que integram o Governo Regional (PSD, CDS-PP e PPM) têm
26 deputados na assembleia legislativa e contam agora apenas com o apoio
parlamentar do deputado do Chega, somando assim 27 lugares.Antes,
com o apoio parlamentar do deputado independente (ex-Chega) e do eleito
da Iniciativa Liberal, somavam 29 mandatos, o que permitia ao executivo
governar com maioria absoluta.A oposição conta agora com 30 deputados, quando antes tinha 28.A
Assembleia Legislativa dos Açores é composta por 57 deputados e, na
atual legislatura, 25 são do PS, 21 do PSD, três do CDS-PP, dois do PPM,
dois do BE, um da Iniciativa Liberal, um do PAN, um do Chega e um
deputado independente (eleito pelo Chega).