IL não apoia nenhum candidato mas Mariana Leitão vota "sem entusiasmo" em Seguro
Presidenciais
Hoje 11:04
— Lusa/AO Online
"Perante
esta situação e sem grande entusiasmo vou votar em António José Seguro.
(…) Porque rejeito liminarmente a forma de fazer política do outro
candidato [André Ventura], o populismo, o divisionismo, e a política
através da mentira. Como rejeito e repudio e não me revejo nessa forma
de fazer política faço a minha opção", anunciou Mariana Leitão em
entrevista à SIC-Notícias.De acordo com a
dirigente, a IL "não vai apoiar nenhum candidato" na segunda volta e não
fará campanha "na medida em que o seu espaço político, reformista, do
centro-direita, não é representado por nenhum deles".Apesar
de não apoiar nem Seguro nem Ventura, Mariana Leitão afirmou que a IL
"rejeita o candidato populista, que quer destruir tudo, que explora os
problemas das pessoas em vez de os tentar resolver"."Mas
também não podemos validar um candidato que quer deixar tudo na mesma",
afirmou, referindo-se a António José Seguro, que disse que poderá ser
"uma força de bloqueio em Belém".Mariana
Leitão negou estar em causa falta de coragem e lembrou que o seu partido
tem um "histórico de combate fortíssimo ao socialismo” mas também "ao
populismo”.“A Iniciativa Liberal, enquanto
partido, estar a fazer campanha por alguém que pode inclusive vir a ser
uma força de bloqueio em Belém, pode não ir ao encontro das
necessidades das pessoas, pode não permitir que o país ande para a
frente, desculpe, acho que compreende que isto não é uma questão
de coragem, é uma questão também de fazer aquilo que sentimos que é o
correto nesta segunda volta das presidenciais”, argumentou.Na
ótica da líder dos liberais, a votação na primeira volta demonstrou que
existe “um conjunto alargado de pessoas que deixou de votar” nos
partidos que têm governado o país nas últimas décadas, e considerou que
Seguro “não deu ainda sinais” de que pode ser “a voz” desse eleitorado.“Era
importante que o próprio olhasse para este eleitorado, e para os
resultados da primeira volta, e percebesse que tem que falar para estas
pessoas e de dar sinais de que está disponível a abrir a porta a
reformas e à mudança que o país precisa. Acho que isso podia ser um bom
prenúncio para o futuro”, afirmou.Sobre a
campanha de João Cotrim de Figueiredo – que ficou marcada por uma
denúncia por parte de uma ex-assessora do grupo parlamentar da IL de
assédio sexual contra o candidato – Mariana Leitão disse ter sido uma
“campanha extraordinária” e disse ter tomado “uma boa decisão”.A
dirigente acrescentou ainda que Cotrim “faz muita falta à política
nacional”, mas remeteu questões sobre o seu futuro para o próprio.Apesar
de voltar a criticar o presidente do PSD e primeiro-ministro, Luís
Montenegro, por não ter estado “à altura das circunstâncias” ao ter
apoiado Luís Marques Mendes na primeira volta, Mariana Leitão disse
manter a abertura com o Governo para dialogar desde que o executivo
concretize reformas e não se limite a anúncios.Na
primeira volta das eleições presidenciais, a 18 de janeiro, a IL apoiou
o seu antigo líder e eurodeputado João Cotrim de Figueiredo, que ficou
em terceiro lugar com 16,01 % dos votos.O
líder parlamentar da IL, Mário Amorim Lopes, e os deputados Rodrigo
Saraiva e Carlos Guimarães Pinto, já anunciaram que vão votar em António
José Seguro.Na noite eleitoral, Cotrim de
Figueiredo anunciou que não tenciona endossar ou recomendar o voto em
qualquer dos candidatos e considerou que os portugueses se verão
confrontados com uma "péssima escolha".O
presidente do PSD e primeiro-ministro, Luís Montenegro, também anunciou,
na noite eleitoral, que o seu partido não apoiará nenhum candidato na
segunda volta, depois de ter apoiado Luís Marques Mendes na primeira,
tal como o CDS-PP.