IL defende demissão de Centeno e pede antecipação das eleições
Governo/crise
13 de nov. de 2023, 12:14
— Lusa/AO Online
“Mário Centeno,
neste momento, só tem um caminho a seguir, que é abandonar a função que
tem de governador do Banco de Portugal”, afirmou, em declarações aos
jornalistas no parlamento.Rui Rocha
defendeu que as “declarações irresponsáveis” do governador ao jornal
Financial Times demonstram que “não tem condições para continuar” em
funções.“Aquilo que Mário Centeno fez é
gravíssimo em dois aspetos: primeiro, tentando arrastar o senhor
Presidente da República para uma versão dos factos que depois veio a
público ele próprio Mário Centeno desmentir, segundo, porque o simples
facto de admitir a possibilidade de integrar um governo nesta situação
põe em causa a sua independência nas funções de governador do Banco de
Portugal”, sustentou.O líder da IL considerou também que o primeiro-ministro “não tem condições para terminar o mandato com dignidade”.“Não
há possibilidade de António Costa permanecer até março em funções”,
apontou, considerando que “o calendário para as eleições é demasiado
longo”.“Não podemos continuar com esta
situação que é um verdadeiro lamaçal de degradação das instituições, à
vista dos portugueses”, salientou, deixando um desafio ao Presidente da
República: “que antecipe este calendário e que tome uma posição clara
sobre a permanência de António Costa em funções”.Na
sua opinião, as eleições legislativas antecipadas marcadas para 10 de
março poderiam ocorrer em fevereiro, “mais cedo do que tarde”.“Os
portugueses não merecem assistir à degradação das instituições
praticamente hora a hora, momento a momento, e com episódios que se
acrescentam sobre episódios que já seriam por si lamentáveis”, criticou.Considerando
que Marcelo Rebelo de Sousa “ainda está em tempo de começar a resolver
esta situação”, Rui Rocha apontou que “aquilo que está a acontecer
demonstra que o país não pode estar nas mãos de António Costa mais cinco
meses”.O presidente da IL acusou o
primeiro-ministro de querer “interferir com o caminho da justiça” e
questionou “como é que um governo nestas condições pode continuar” em
funções.O governador do Banco de Portugal é
designado por resolução do Conselho de Ministros, sob proposta do
membro do Governo responsável pelas Finanças, e após parecer da
Assembleia da República.Em declarações ao
jornal Financial Times, no domingo, o governador do Banco de Portugal
afirmou que teve "um convite do Presidente e do primeiro-ministro para
refletir e considerar a possibilidade de liderar o Governo" e que estava
"muito longe de tomar uma decisão".Pouco
depois, numa nota publicada hoje de madrugada no sítio oficial da
Presidência da República na Internet, o Presidente da República negou
que tenha convidado quem quer que seja para chefiar o Governo, incluindo
o governador do Banco de Portugal Mário Centeno, ou autorizado qualquer
contacto para este efeito.Já hoje de
manhã, Mário Centeno esclareceu, em comunicado, que não foi convidado
por Marcelo Rebelo de Sousa para chefiar o Governo. “É
inequívoco que o senhor Presidente da República não me convidou para
chefiar o Governo”, já que optou por dissolver a Assembleia da
República, afirmou o governador.No
comunicado divulgado hoje no site do regulador bancário, o governador
esclarece que na sequência dos eventos desencadeados com a demissão do
primeiro-ministro, António Costa, na terça-feira, “este” convidou-o “a
refletir sobre as condições que poderiam permitir que assumisse o cargo
de primeiro-ministro”. “O convite para
essa reflexão resultou das conversas que o senhor primeiro-ministro teve
com o senhor Presidente da República”, referiu, indicando que “nunca
houve uma aceitação do cargo, mas apenas uma concordância em continuar a
reflexão e finalizá-la em função da decisão que o senhor Presidente da
República tomaria”.