IL critica Governo da República por não cumprir compromissos com a Praia da Vitória
30 de jan. de 2023, 20:02
— Lusa
“O Estado
português, através do Ministério do Ambiente, tem de cumprir com os
compromissos que tem com a autarquia da Praia da Vitória, nomeadamente
em relação às questões ambientais, que não tem cumprido. Nem resposta dá
à autarquia”, alertou Nuno Barata, em declarações à comunicação social,
após uma reunião com aquele município da ilha Terceira, nos Açores.Em
causa está a contaminação de solos e aquíferos provocados pelo
armazenamento e pelo manuseamento de combustíveis e outros poluentes
pela Força Aérea norte-americana na base das Lajes.O
Orçamento do Estado para 2023 prevê que o Governo assegure a “efetiva
descontaminação dos solos e aquíferos no concelho da Praia da Vitória,
tendo em conta a sua consideração como interesse nacional”.Para
o deputado único da IL na Assembleia Legislativa dos Açores, o Governo
Regional devia, “através do seu magistério de influência, pressionar o
Governo da República”, tal como os deputados eleitos pela região à
Assembleia da República.Identificada em
2005 pelos próprios norte-americanos, a contaminação foi confirmada, em
2009, pelo Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC), que
monitoriza desde 2012 o processo de descontaminação.Sobre
a Praia da Vitória, o deputado liberal também alertou que a autarquia,
liderada pela social-democrata Vânia Ferreira, está sob um “aperto
financeiro fora do comum”, uma vez que o “serviço da dívida atinge cerca
de 200% do orçamento” municipal, criticando a atuação dos anteriores
executivos camarários do PS.O coordenador
regional condenou ainda a “irresponsabilidade” dos partidos da coligação
PSD/CDS-PP (que formam o Governo dos Açores, juntamente com o PPM) por
terem recusado um aumento das taxas proposto pelo executivo camarário em
Assembleia Municipal.“A melhor coisa que
podia acontecer ao município da Praia era recorrer ao Fundo de Apoio
Municipal (FAM) porque o FAM tem taxas de juro muito inferiores às
praticadas no mercado pela banca tradicional”, defendeu.A
proposta da Câmara, que tomou posse em outubro de 2021, incluía uma
previsão de aumento de receitas de cerca de 800 mil euros, proveniente
da aplicação da derrama máxima (1,5%) a todos os lucros tributáveis das
empresas do concelho e o aumento do Imposto Municipal sobre Imóveis
(IMI) de 0,3% para a taxa máxima (0,45%).As
duas propostas foram rejeitadas por PS, PSD, CDS-PP e grupo de cidadãos
eleitores, contando apenas com um voto a favor do presidente da junta
de freguesia das Lajes, César Toste (PSD), durante a votação na
Assembleia Municipal, em 28 de dezembro de 2022.A
IL, juntamente com o Chega e o deputado independente, é um dos partidos
que suporta o Governo dos Açores (PSD/CDS-PP/PPM) no parlamento
regional.