IL critica a atuação do Governo dos Açores e pede a Bolieiro que não seja “refém”
Covid-19
1 de mai. de 2021, 00:39
— Lusa /AO Online
Numa missiva endereçada ao presidente do Governo Regional dos Açores, e divulgada hoje aos meios de comunicação social, o líder regional da Iniciativa Liberal, Nuno Barata, considerou que “a população da ilha de São Miguel tem sido maltratada pelo Governo” dirigido por José Manuel Bolieiro “e começa a mostrar sinais inequívocos de cansaço e agitação que não auguram nada de bom”.“O descontentamento não é de hoje nem de ontem, tem já muito tempo, e qualquer que seja um pequeno gesto de incitamento funcionará como um rastilho junto a um barril de pólvora”, considera o deputado único do partido na Assembleia Legislativa Regional.Nuno Barata ressalva ainda que “o PSD com quem” acordou “uma solução parlamentar de Governo não pode manter-se refém dos interesses pessoais e dos bairrismos dos líderes dos outros partidos da coligação”.“Estamos a ser governados, para não dizer mandados, à distância”, sublinha, antes de defender que “é urgente explicar localmente aos micaelenses as medidas de atropelo às liberdades dos cidadãos e assumir perante os agentes económicos a responsabilidade pelos danos causados”.O deputado aponta para uma situação de “ebulição social, com muita gente a ter de recorrer às famílias e aos amigos para sobreviver, com negócios fechados há meses e sem uma comunicação clara e um sinal inequívoco de esperança”.“Os micaelenses não podem continuar a ser tratados como se de selvagens se tratassem por quem, de outras ilhas onde a vida continua a correr com normalidade, se arroga esse direito mesmo sem que o Direito o permita”, defende o liberal.Barata refere ainda que “o regresso das crianças às escolas é urgente, as famílias não aguentam mais, as crianças sofrem demasiado e adquirem hábitos poucos saudáveis”.O líder regional da Iniciativa Liberal frisa que “os partidos que garantem a solução parlamentar que suporta o Governo da coligação não podem ser ouvidos apenas na hora dos documentos decisivos, têm de sê-lo também nestes momentos marcantes da vida pública, nestas decisões mais importantes e que restringem as liberdades individuais”.Na carta enviada ao social-democrata, o liberal considera ainda “inadmissível” a “alusão, mesmo que velada (…) a um tipo de censura sobre a comunicação social, nomeadamente sobre o Açoriano Oriental” do presidente da Comissão Especial de Acompanhamento da Luta Contra a Pandemia de Covid-19, Gustavo Tato Borges, defendendo a sua “exoneração imediata”.Nuno Barata termina garantindo que irá levar estas preocupações para a reunião com o Presidente da República, que estará, amanhã, em São Miguel.Hoje foi também conhecida uma carta enviada por Vasco Cordeiro ao presidente do Governo dos Açores, em que o líder socialista defende que a “abordagem” deste executivo na luta contra a covid-19 “não está a produzir os resultados esperados e necessita, urgentemente, de ser repensada e alterada”.O anterior presidente do Governo Regional também condenou a atuação de Tato Borges que, na conferência de imprensa de quinta-feira, criticou o título de uma reportagem do Açoriano Oriental, colocando um sinal de proibido por cima, tendo sugerido um título alternativo ao original "Restrições transformam Ponta Delgada em cidade fantasma".O Governo de coligação PSD/CDS-PP/PPM, liderado pelo social-democrata José Manuel Bolieiro, conta com o apoio parlamentar do deputado da Iniciativa Liberal e dos dois deputados do Chega,No que toca à pandemia de covid-19, a ilha de São Miguel é a única do arquipélago que se encontra em alto risco, tendo, por isso, os restaurantes e cafés encerrados e recolher obrigatório às 20:00 durante a semana e às 15:00 aos fins de semana.Os alunos do 1.º e 2.º anos do ensino básico e os do secundário que fazem exame nacional vão retomar, na segunda-feira, as aulas presenciais na ilha de São Miguel.A região regista atualmente 220 casos positivos ativos de covid-19: 212 em São Miguel, quatro na Terceira, três em Santa Maria e um nas Flores.Desde o início da pandemia foram diagnosticados 4.893 casos, tendo recuperado da doença 4.521 pessoas. Morreram 31, saíram do arquipélago 78 e 43 apresentaram prova de cura anterior.