IL contra financiamento do Estado aos média privados
24 de jan. de 2024, 18:21
— Lusa
“Os
órgãos de comunicação social que neste momento reclamam apoios da
região para sobreviverem têm é que fazer um esforço de mostrarem aos
açorianos, às empresas e às instituições que se podem manter no mercado
sendo financiados pela economia. Se assim não for não faz sentido o
Estado pagar a essas instituições”, afirmou Nuno Barata.Nuno
Barata, cabeça de lista pelos círculos de São Miguel e da compensação,
falava em declarações aos jornalistas, à margem de uma visita à Casa do
Povo da Maia, na ilha de São Miguel, numa ação de campanha para as
eleições regionais antecipadas de 04 de fevereiro.Dezasseis
órgãos de comunicação social privados dos Açores enviaram aos partidos
que concorrem às eleições regionais uma carta alertando para a
“dramática situação” vivida no setor e sugerindo um “acordo de regime”
sobre os apoios a atribuir.Questionado
sobre a missiva, Nuno Barata sublinhou que é preciso ter “uma
comunicação social forte, um quarto poder forte”, mas alertou que “a
democracia não se garante com o financiamento público dos ordenados dos
jornalistas”. "Nós não somos defensores
dessa solução. A nossa solução é uma solução liberal. É uma solução em
que aqueles que conseguirem estar no mercado, estão no mercado. Nós
entendemos que há mercado. É preciso é mudar a forma de fazer",
considerou o dirigente regional da Iniciativa Liberal (IL).Nuno
Barata recordou que "uma das razões" para o voto contra da IL ao
Orçamento Regional para 2024 foi "precisamente" porque o documento
"tinha um milhão e 500 mil euros inscritos", que, no seu entendimento,
seria "uma forma encapotada de mais tarde o Governo pagar ordenados a
jornalistas" para "provavelmente fazerem fretes ao Governo, continuarem a
fazer fretes às grandes corporações como as câmaras do comércio e as
federações agrícolas, que lhes pagam alguma da publicidade"."Tenho
muita pena que encerrem títulos. Tenho muita pena que encerrem rádios.
Mas, se não há capacidade de sobreviverem com o mercado então não faz
sentido a região estar a investir nessa matéria", sustentou o candidato,
para quem "os açorianos não precisam de pagar órgãos de comunicação
social".A carta noticiada na terça-feira
pela Antena 1/Açores, e a que Lusa teve acesso, é assinada pelos diários
Açoriano Oriental e Correio dos Açores, em representação também dos
jornais Diário Insular, Incentivo, Diário dos Açores, Dever, Ilha Maior,
Jornal do Pico, Tribuna das Ilhas, e das rádios Atlântida, R80, Rádio
Clube de Angra, Asas do Atlântico, Antena Nove, Cais e Rádio Comercial
dos Açores.Referindo o papel da
comunicação social como “pilar do regime democrático e da própria
autonomia” regional, e sublinhando que o seu trabalho é também de
serviço público, os órgãos recordam a existência do programa Promédia,
mas pedem outros apoios “vitais para a sua sobrevivência, nomeadamente o
apoio aos custos de exploração e produção, que sofreram todos aumentos
incomportáveis nos últimos anos”.Dado não
ter sido possível discutir atempadamente uma proposta de decreto
legislativo regional sobre os apoios, e para que o tema entre na
campanha para as eleições açorianas de 04 de fevereiro, os subscritores
querem conhecer as ideias dos partidos sobre o tema e pedem uma
audiência com os seus representantes, para expor pessoalmente as suas
preocupações.Onze candidaturas concorrem
às legislativas regionais, com 57 lugares em disputa no hemiciclo:
PSD/CDS-PP/PPM (coligação que governa a região atualmente), ADN, CDU
(PCP/PEV), PAN, Alternativa 21 (MPT/Aliança), IL, Chega, BE, PS, JPP e
Livre.