IL apresenta proposta para revisão dos apoios à cultura nos Açores
Hoje 15:41
— Lusa/AO Online
A nova proposta, que será
discutida e votada na próxima semana, resulta, segundo Nuno Barata, “de
um processo de diálogo que permitiu identificar fragilidades, corrigir
soluções inicialmente previstas e responder às preocupações concretas de
quem faz cultura nos Açores”.Para a IL os
Açores necessitam de um modelo de apoio à cultura “mais transparente,
mais previsível e mais respeitador da diversidade do tecido cultural
regional”, valorizando “o mérito, a participação comunitária, a
circulação cultural entre ilhas e a sustentabilidade das estruturas”
que, diariamente, garantem o acesso dos açorianos à cultura.O
partido adianta, em nota de imprensa, que o deputado único da IL no
parlamento açoriano reuniu com o grupo de teatro Alpendre, que conta com
50 anos de atividade, em Angra do Heroísmo, na ilha Terceira, e uma das
conclusões foi a necessidade de distinguir as diferentes realidades do
tecido cultural açoriano.“Não podemos
tratar por igual aquilo que é diferente. Existem agentes culturais
totalmente amadores, estruturas semiprofissionais e entidades
profissionais, cada uma com necessidades distintas. O sistema de apoios
tem de reconhecer essa realidade e deixar de aplicar soluções uniformes a
um setor que é profundamente diverso”, defendeu o deputado liberal,
citado na mesma nota.Segundo a IL, “uma
das principais falhas" das políticas públicas tem sido "a dificuldade em
distinguir estas diferentes realidades", criticando os mecanismos de
apoio que são “excessivamente burocráticos" e "desajustados".Entre
as principais medidas da proposta da IL está a criação de uma
modalidade autónoma de Apoio Sustentado à Atividade Cultural, destinada a
companhias de teatro, escolas de música, associações culturais e outras
entidades com atividade regular.O modelo
prevê contratos-programa plurianuais, mecanismos de acompanhamento e
maior estabilidade financeira para estruturas que não podem depender
exclusivamente de candidaturas pontuais, adianta o partido.A
proposta estabelece ainda que, pelo menos, 60% da verba anual destinada
aos apoios culturais seja reservada a entidades não profissionais ou
amadoras, reconhecendo “o papel destas estruturas na dinamização
cultural das comunidades locais”.Inclui
igualmente mecanismos para combater "desigualdades entre ilhas",
impedindo que a menor capacidade de acesso a mecenato ou financiamento
privado constitua um fator de penalização nas candidaturas aos apoios
públicos.A revisão, acrescenta Nuno
Barata, reforça “a transparência e a credibilidade do sistema de
apoios”, uma vez que passam a existir “critérios de avaliação mais
claros, regras mais exigentes de prevenção de conflitos de interesse e a
obrigação de divulgação pública das pontuações atribuídas e da
fundamentação das decisões”.Outra das
alterações passa pela criação do Conselho Consultivo da Cultura dos
Açores, órgão que integrará representantes dos diferentes setores
culturais das várias ilhas, garantindo que "futuras alterações
legislativas e regulamentares não sejam feitas sem a participação
efetiva dos agentes culturais".“Aquilo que
fizemos foi ouvir o setor, incorporar contributos relevantes e melhorar
o diploma. O resultado é uma proposta mais equilibrada, mais justa e
mais próxima da realidade cultural açoriana”, afirmou Nuno Barata.Para
Nuno Barata, o processo de apreciação parlamentar demonstrou que
“existiam preocupações legítimas que não estavam suficientemente
acauteladas e que justificavam uma revisão aprofundada da proposta
inicial da IL”.