IL apresenta moção de censura ao Governo após demissão de Pedro Nuno Santos
Governo
29 de dez. de 2022, 12:36
— Lusa/AO Online
“Este estado de
coisas não pode continuar, este Governo não pode continuar, portanto,
anuncio que a Iniciativa Liberal vai apresentar, logo que possível, uma
moção de censura ao Governo de António Costa”, anunciou João Cotrim de
Figueiredo em declarações aos jornalistas na Assembleia da República,
tendo a seu lado o líder parlamentar da IL, Rodrigo Saraiva. João
Cotrim de Figueiredo defendeu que “quem não acompanhar a IL na
aprovação desta moção de censura será conivente, será cúmplice com o
estado em que o país crescentemente vai ser conduzido por este Governo,
que está em absoluta desagregação”. Elencando
os motivos que levaram à apresentação da moção de censura, o líder da
IL salientou que, em nove meses de Governo, “houve 11 demissões, houve
inúmeros casos, houve serviços públicos em autêntico colapso”, como na
saúde e na educação, e assiste-se a um “sistema de Segurança Social que
não tem sustentabilidade garantida, com emigração de jovens em massa,
com uma economia a não crescer aquilo que podia”. “É
um Governo que, nestes nove meses, mostrou uma arrogância crescente, de
uma maioria absoluta que se acha dona do poder absoluto, e também de um
clima generalizado de incompetência e de irresponsabilidade no país”,
acusou. Para Cotrim de Figueiredo, na raiz
destes problemas está o facto de o Governo ter sido constituído “não
tanto para tratar dos problemas que interessam aos portugueses e do
interesse público”, mas antes para “aplacar as lutas internas dentro do
próprio PS”. Acusando António Costa de não
ter “qualquer espécie de capacidade política de conseguir controlar e
coordenar politicamente o seu Governo”, Cotrim de Figueiredo antecipou
que “isso vai-se refletir, mais tarde ou mais cedo, desde logo na não
resolução dos problemas que afetam a vida diária das pessoas, e depois
num paulatino estabelecer, instalar, desta sensação de modorra, de
desesperança, que já afeta tantos portugueses”. “Não podemos continuar neste caminho e se há altura para mudar, é agora”, defendeu. Abordando
o caso de Pedro Nuno Santos, o líder da IL insistiu na ideia de que “o
primeiro-ministro preferiu montar um Governo para não ter problemas de
sucessão no partido”, mas, com a saída do ministro das Infraestruturas e
da Habitação, “vai acabar por tê-los”.“O
facto de o ministro Pedro Nuno Santos não ter saído em junho, na altura
da polémica do aeroporto, é significativo, porque ficou no Governo ainda
hoje ninguém sabe porquê. (…) Acaba por sair nesta situação. Portanto,
vai gerar instabilidade dentro do PS e, por inferência, ainda mais
instabilidade dentro deste Governo”, previu.Apesar
de reconhecer que, à partida, a moção de censura da IL “tem mais
hipótese de não passar do que de passar”, porque o PS tem a maioria
absoluta, Cotrim de Figueiredo disse contudo acreditar que “há
suficiente sentido de responsabilidade e sentido crítico, mesmo dentro
do PS” para que a iniciativa possa ser aprovada. “As
vozes críticas do PS, dentro do próprio PS, têm-se multiplicado, e eu
espero que haja pelo menos meia dúzia de deputados do PS que reconheçam
isto aqui no parlamento”, disse. Cotrim de
Figueiredo rejeitou que a apresentação da moção de censura seja uma
“manobra política”, observando que já houve outros partidos - em
referência ao Chega - que apresentaram esse tipo de iniciativas desde o
início da legislatura e a IL não os acompanhou, nem quis "gastar
cartuchos". “Achamos que, neste momento, o
assunto é suficientemente grave. Nove meses é tempo suficiente para
perceber que este Governo não vai, de facto, resolver o problema dos
portugueses e não tem sequer uma visão para o país, nem tem coragem nem
vontade de fazer as reformas de fundo de que o país precisa”, disse. Segundo
o artigo 222 do Regimento da Assembleia da República, o debate da moção
de censura "inicia-se no terceiro dia parlamentar subsequente à
apresentação" dessa moção, "não pode exceder três dias e a ordem do dia
tem como ponto único o debate da moção de censura”.