IL anuncia que não vai votar a favor e está inclinada para voto contra
OE2025
9 de out. de 2024, 10:20
— Lusa/AO Online
“Há um
cenário que, neste momento, face ao que conhecemos, nos parece
absolutamente evidente: é que não votaremos a favor deste Orçamento. Já
veremos como é que nos posicionamos em função da discussão que viermos a
ter nos próximos dias”, afirmou Rui Rocha em conferência de imprensa em
Lisboa.O líder da Iniciativa Liberal (IL)
reiterou que os sinais que tem recebido deste Orçamento são de “falta
de ambição e de falta de energia para mudar o país”, pelo que a posição
do partido “não é positiva” relativamente ao documento que vai ser
apresentado.No entanto, Rui Rocha
salientou que, apesar de ainda não se conhecer o documento e não querer
definir já um sentido de voto, a IL tem uma visão para o IRC “muito mais
agressiva do que aquela que consta do programa da AD e destas
negociações” e, apesar de “não ter nada contra” um IRS mais baixo para
os jovens, acha que o imposto deve ser “mais baixo para todos”.“Portanto,
olhando para aquilo que foi discutido, eu acho que há algo que é
evidente nesta altura: é que nós, a favor, não votaremos”, reforçou. Questionado
se um orçamento que preveja apenas 1% de descida no IRC e não abra
portas a descidas desse imposto nos próximos anos mereceria o chumbo da
IL, Rui Rocha disse não perceber como é que numa discussão orçamental
“alguém pode limitar aquilo que vai discutir-se em orçamentos futuros”.“Não
faz nenhum sentido e isso dá uma indicação negativa sobre o voto que a
IL pode ter”, apesar de salientar que não se quer comprometer
“imediatamente com uma abstenção ou um voto contra”, porque pretende
analisar o documento e perceber, de entre as propostas que a IL tem
apresentado, “quais são acolhidas e quais não são”.“Mas,
com toda a sinceridade, a perspetiva que temos neste momento sobre o
Orçamento é negativa e, portanto, estamos mais para votar contra do que
para outro sentido de voto, mas não quer dizer que isto seja
definitivo”, frisou. Rui Rocha aproveitou
ainda para criticar a postura do PS e do Chega nestas negociações
orçamentais, considerando “curioso o momento que se vive”.“É
que o PS, em termos de Orçamento, anda à procura de pretextos para
votar contra um Orçamento que podia muito bem ser socialista e o Chega
anda à procura de pretextos para votar a favor de um Orçamento que
poderia muito bem ser socialista. Acho que é uma enorme ironia do
momento que vivemos”, disse.Nesta
conferência de imprensa, Rui Rocha foi ainda questionado sobre as
declarações na terça-feira do primeiro-ministro, Luís Montenegro,
relativamente à possibilidade de coligações pré-eleitorais nas
autárquicas entre o PSD e a IL. Na
resposta, o líder da IL disse que o partido “está sempre aberto a
discutir e a avaliar cenários”, mas é “muito exigente e não prescinde
dos seus princípios”, acrescentando que atualmente se está “na novela
orçamental e não vale a pena alimentar outras novelas”.
Questionado se não põe de parte essas coligações, Rui Rocha respondeu:
“À partida não, mas também devo dizer que não há nenhum caminho feito
nessa matéria”. “Até porque na IL nós
respeitamos, seja para Lisboa, seja para a generalidade do país, o
princípio de autonomia dos nossos núcleos territoriais e, portanto, não
há nenhuma decisão que não envolva os núcleos territoriais. É ainda
muito cedo para termos qualquer tipo de decisão em qualquer sentido
nesta altura”, afirmou.