IL alerta para expectativas por cumprir, Chega aponta orçamento como “prova de fogo”
Açores/Governo
4 de mar. de 2021, 11:14
— Lusa/AO Online
Em declarações à
agência Lusa, o líder do Chega/Açores, partido que suporta o governo com
dois deputados na Assembleia Legislativa Regional, afirmou que os
primeiros 100 dias serviram para o executivo liderado pelo
social-democrata José Manuel Bolieiro “se inteirar das situações e
acudir a algumas situações mais quotidianas”.“Obviamente
que estaremos à espera do Orçamento e Plano para 2021. A partir daí é
que será a prova de fogo do novo governo. Até lá temos de compreender
que as coisas não acontecem assim como quem acende um interruptor, passe
a expressão”, declarou Carlos Furtado. Para
o “sucesso” na aprovação do documento, que será discutido até abril,
Furtado defendeu que o orçamento da região para 2021 terá de estar
assente em "três pilares”: saúde, educação e economia.A
propósito dos primeiros 100 dias do Governo Regional de coligação
PSD/CDS-PP/PPM, que tomou posse no dia 24 de novembro de 2020 e conta
com o apoio parlamentar do Chega e do Iniciativa Liberal, o também
deputado elogiou o presidente do executivo, considerando Bolieiro um
“negociador nato” e uma “pessoa serena”.“Tenho
notado por parte do senhor presidente do governo uma tentativa de
consensos, de trabalho, e de informação e de partilha daquilo que são as
decisões do governo, o que me tem agradado bastante”, afirmou.Carlos
Furtado disse ainda acreditar na estabilidade da solução governativa no
arquipélago, porque está em causa o “interesse maior do povo açoriano”.“A
estabilidade governativa da parte do Chega há de existir sempre porque
eu sou um homem de diálogos e tenho a certeza de que o senhor presidente
do governo é também um homem de diálogos. Estando os dois de boa-fé,
iremos chegar a entendimentos sempre”, realçou.O
líder da IL/Açores, Nuno Barata, defendeu que os 100 dias iniciais do
executivo deixaram “algumas expectativas goradas”, ao nível das
“nomeações, cortes na despesa do Estado, peso da administração pública” e
na “forma de acudir rapidamente aos problemas” provocados pela pandemia
da covid-19.“É preciso ter alguma
tranquilidade, é preciso avaliar as coisas com alguma consequência, mas
também é preciso alertar e deixar claro que as expectativas que o povo
açoriano tinha com as mudanças necessárias estão longe de estarem
satisfeitas”, salientou o liberal.O
deputado da IL alertou que é necessário “corresponder aos anseios da
população”, que, disse, aspirava por “uma mudança efetiva e não apenas
por uma mudança de protagonistas”.Questionado
sobre as razões para a não concretização desta “mudança efetiva”, Nuno
Barata apontou a “inexperiência de alguns governantes”.“Se
for uma falta de dinâmica estrutural [do Governo Regional], então aí os
Açores não podem esperar bons resultados nesta legislatura ou sequer
que ela chegue ao fim”, afirmou.O deputado
único da IL no parlamento açoriano destacou que a vontade do partido é
assegurar “estabilidade política” à região, mas para isso o executivo
tem de ter “coragem reformista”.“Se for
uma estabilidade política assente numa espécie de paz podre para que
cheguemos a 2024 sem mácula para irmos a votos de novo, eu penso que não
estamos a prestar um bom serviço aos açorianos. Para isso, mais vale
irmos a votos antecipadamente”, apontou.