IL acusa diretor nacional da PJ de usar “dados truncados” e quer chamá-lo ao parlamento
20 de jan. de 2025, 11:47
— Lusa/AO Online
“O diretor nacional
da PJ, Luís Neves, afirma que o sentimento de insegurança é gerado pelo
aumento da desinformação. Mas usou ele próprio dados truncados de
criminalidade para lançar confusão”, escreveu Rui Rocha na rede social X
(antigo Twitter).Na mesma mensagem, Rui
Rocha acrescenta que a IL “vai chamar Luís Neves à Assembleia da
República para prestar esclarecimentos”, frisando depois que “a política
de segurança tem de ser construída sobre factos”.Na
sexta-feira, numa conferência sobre os 160 anos do Diário de Notícias, o
diretor nacional da PJ afirmou que o sentimento de insegurança é gerado
pelo aumento da desinformação e ameaças híbridas e defendeu que os
números de criminalidade violenta desmentem essa ideia.“Estamos
a assistir a um momento de desinformação e ameaças hibridas, e é isso
tudo que leva a fundamentar a perceção de insegurança”, considerou.Depois, avançou com exemplos em concreto para sustentar a sua tese.“Alguém
se recorda dos anos 80 e 90 do consumo de heroína em que não havia
família que não tivesse um familiar que tivesse sofrido? Ou Arroios e
Intendente [em Lisboa] em que não se podia lá entrar? Querem comparar
esses períodos com o período em que hoje vivemos e dizer que hoje é que é
mau?”, perguntou.Luís Neves aludiu a
números de 2009, quando se verificaram 888 ataques a carrinhas de
segurança e transportes de valores, bancos ou postos de combustíveis.“Hoje não temos 4% desses ataques”, contrapôs.Sobre
estrangeiros e criminalidade, Luís Neves distinguiu os casos que estão
relacionados com “organizações criminosas transnacionais, cibercrime ou
estupefacientes”, bem como “criminalidade contra o património” que tem
conexões internacionais.“Não são
imigrantes” os envolvidos nesses casos, sustentou, salientando ainda que
Portugal é porta de entrada da UE para quem vem da América Latina e
África e as prisões portugueses refletem a presença de “mulas” de
transporte de droga que, normalmente, “são pessoas pobres”.“Prendemos por ano [este tipo de casos] às dezenas e às vezes às centenas”, disse.Olhando
para os detidos em Portugal, Luís Neves referiu que, excluindo os
oriundos de países europeus, africanos e latino-americanos - que estão
relacionados com crimes que nada têm a ver com imigrantes -, os valores
são muito baixos.Nas prisões portuguesas há 120 pessoas de países asiáticos num universo de mais de 10 mil reclusos, acrescentou.