IL acusa Costa de sacrificar Hugo Mendes para "aliviar as suas responsabilidades"
TAP
10 de abr. de 2023, 11:44
— Lusa/AO Online
“Aquilo que estamos a
assistir é indecoroso, é a evidência de que o PS usa as empresas
públicas para benefício do próprio partido, que não sabe distinguir
aquilo que é gestão pública da gestão partidária, vemos a TAP envolvida
em guerras internas do PS e tudo isto é inaceitável, indecoroso e
António Costa tem muito mais para explicar do que aquilo que explicou
até agora”, criticou Rui Rocha, em declarações à agência Lusa.Segundo
o líder da Iniciativa Liberal (IL), o facto de o primeiro-ministro, em
resposta à Lusa, ter considerado gravíssimo o e-mail que Hugo Mendes
enviou à presidente executiva da TAP sobre o chefe de Estado e ter
afirmado que teria obrigado à sua demissão na hora, é uma tentativa de
se tentar esconder “atrás de um secretário de Estado que já estava
demitido”.“Aquilo que foi evidenciado nas
audições da comissão de inquérito é muito mais profundo e muito mais
vasto do que aquilo que resulta do sacrifício de um secretário de Estado
demitido”, enfatizou, considerando que “António Costa tinha prometido
aos portugueses uma companhia de bandeira” e o que se vê “é uma
companhia de bandalheira política”.Para
Rui Rocha, o primeiro-ministro “demorou muito a falar e aquilo que faz
agora evidencia é a ausência de assumir responsabilidades relativamente a
tudo o resto”, considerando que o chefe do executivo “está, desde há
vários dias, a ser cilindrado na opinião pública”.“Perante
essa incapacidade de controlar a agenda mediática, tentou agora fazer
uma manobra de diversão, sacrificando alguém que já estava demitido, mas
há muito mais para explicar e cada dia, cada hora que passa sem que
António Costa venha explicar tudo o que aconteceu na TAP é mais uma hora
em que António Costa fica a dever explicações aos portugueses”,
enfatizou.Para além do e-mail com um
pedido para adiar uma viagem da TAP para “agradar ao Presidente da
República” também há explicações a dar sobre a “reunião secreta
envolvendo membros de ministérios, deputados do PS e assessores” no dia
anterior à audição da presidente executiva da TAP, defendeu o presidente
da IL.“E uma outra questão que é ter
havido dois ministros do Governo de António Costa - Fernando Medina e
Pedro Nuno Santos - que pediram esclarecimentos à TAP sabendo-se agora
que esses esclarecimentos foram preparados com a participação de Hugo
Mendes. Ou Pedro Nuno Santos mentiu a Fernando Medina, ou Fernando
Medina sabia de tudo também e esteve envolvido em toda esta ‘marosca’ e,
portanto, António Costa não pode agora sacrificar alguém que já estava
demitido para tentar aliviar as suas responsabilidades”, insistiu.António
Costa referiu hoje à Lusa que “não conhecia” esse e-mail “e, se tivesse
conhecido, teria obrigado o ministro [das Infraestruturas, Pedro Nuno
Santos] a demiti-lo [o então secretário de Estado], na hora”.“É
gravíssimo do ponto de vista da relação institucional com o Presidente
da República e inadmissível no relacionamento que o Governo deve manter
com as empresas públicas”, acentuou.Na
terça-feira, na comissão parlamentar de inquérito sobre a TAP, o
deputado da Iniciativa Liberal Bernardo Blanco confrontou Christine
Ourmières-Widener com uma troca de e-mails com o então secretário de
Estado das Infraestruturas, Hugo Mendes, sobre uma eventual mudança de
data de um voo que tinha como passageiro o chefe de Estado, Marcelo
Rebelo de Sousa.Nesse e-mail que dirigiu à
presidente executiva da TAP, o ex-secretário de Estado das
Infraestruturas Hugo Mendes argumentava que era importante manter o
apoio político de Marcelo Rebelo de Sousa, considerando que era o
“principal aliado” do Governo mas que poderia tornar-se o “pior
pesadelo”.No dia seguinte à audição, a
Presidência da República afirmou, através de uma nota escrita, que nunca
contactou a TAP nem nenhum membro do Governo para uma mudança de um voo
de regresso de Moçambique em março de 2022.