IL/Açores questiona Governo Regional sobre manuais escolares digitais
26 de ago. de 2022, 18:30
— Lusa/AO Online
Num requerimento enviado hoje para o
parlamento dos Açores, o deputado quer que seja esclarecido de forma
“clara e inequivocamente” a implementação, no ano letivo que está
prestes a começar, nos 5.º e 8.º anos de escolaridade, do projeto dos
manuais escolares digitais.De acordo com o
parlamentar, citado em nota de imprensa do partido, “existem dúvidas
junto dos pais e encarregados de educação quanto à forma de
implementação do projeto que visa substituir os manuais em papel por
'tablets' e computadores”.O deputado questiona o Governo Regional sobre “os motivos que levaram à exclusão das livrarias e papelarias locais do projeto”. Segundo
Nuno Barata, “nas diversas plataformas digitais, quer regionais, quer
de cada unidade orgânica do sistema educativo regional, as informações
prestadas à comunidade educativa revelam apenas que ‘todos os alunos
envolvidos passarão a dispor de acesso aos manuais digitais de todas as
disciplinas, através de um equipamento Samsung, bem como a um conjunto
de funcionalidades e recursos interativos, exclusivos do serviço Escola
Virtual, que os auxiliam no seu estudo e na interação com os seus
professores’”.“Ora, a autonomia consagrada
na lei para cada uma das 38 escolas da região que serão abrangidas por
este projeto, que chegará a mais de 5.300 alunos, leva a que existam
escolas da região a comunicar aos pais e encarregados de educação que a
entrega dos 'tablets' e computadores será feita mediante o pagamento de
uma caução de 250 euros, que serão utilizados como salvaguarda e
garantia em caso de acidentes, danos e/ou extravios dos equipamentos”,
refere o deputado da IL/Açores.Nuno Barata
afirma que “podem existir pais e encarregados de educação com filhos
e/ou educandos nos dois níveis de ensino em que será implementado o
projeto e que tais valores, mesmo que ao abrigo da modalidade de caução e
podendo ser devolvidos no final do ano letivo, significam uma despesa
que se regista superior ao valor total dos livros escolares ao preço de
venda nas papelarias e livrarias da região”.O
deputado sublinha que “existem à venda no mercado equipamentos
informáticos da mesma marca, mas com preços de venda ao público
substancialmente inferiores aos 250 euros de caução que têm vindo a ser
comunicados por algumas das unidades orgânicas”.Nuno
Barata questiona o executivo açoriano sobre se “vão ou não as escolas
da região aplicar cauções monetárias aos pais e encarregados de educação
aquando da entrega dos computadores e 'tablets' para efeitos de
garantia dos equipamentos”.Se a caução for
aplicada, pretende-se apurar “em quanto ela importará e se será igual
em todas as unidades orgânicas do sistema educativo regional”.“Será
igual para todos os alunos ou variará o seu custo em função do grau de
apoio atribuído no âmbito da Ação Social Escolares?”, questiona ainda o
deputado.Nuno Barata quer, caso não sejam
aplicadas cauções monetárias, saber de forma “clara e inequivocamente,
como é que será feito, em todas as escolas e por todas as turmas dos 5.º
e 8.º anos de escolaridade, o procedimento de entrega dos novos
equipamentos aos agentes da comunidade educativa (alunos e docentes) e
que responsabilidades serão pedidas aos pais e encarregados de
educação”.Outra preocupação manifestada
pela Iniciativa Liberal prende-se com a "perda de oportunidades de
negócio que este novo projeto implica sobre as livrarias e papelarias
açorianas" que, durante todos os anos anteriores, desenvolviam o seu
negócio também na vertente de venda de manuais escolares.