IL/Açores quer tratamento de substituição opiácea no Serviço Regional de Saúde
Hoje 15:08
— Lusa/AO Online
Na
sequência de um projeto de resolução apresentado na Assembleia
Legislativa Regional, o deputado único da Iniciativa Liberal, Pedro
Ferreira, afirmou que “não faz sentido que, em várias ilhas, os utentes
sejam obrigados a levar metadona para vários dias devido ao encerramento
dos serviços aos fins de semana e feriados, aumentando riscos de
desvio, consumo indevido e tráfico ilícito”.Citado
num comunicado do partido, o deputado preconizou que “o tratamento deve
funcionar diariamente e com supervisão clínica adequada, tal como
acontece em qualquer resposta de saúde pública séria e responsável”.Atualmente,
a metadona é administrada na região pela Associação Regional de
Reabilitação e Integração Sociocultural dos Açores (ARRISCA) que, a 26
de março, anunciou ser “forçada a implementar” restrições nas suas
respostas em saúde devido à “insuficiência de montantes” acordados com o
Governo Regional.A proposta da IL prevê
que o tratamento de substituição opiácea passe a ser assegurado,
exclusivamente, por unidades do SRS, terminando a dependência de
entidades externas na prestação destes cuidados.A
IL propõe ainda que o Governo Regional “avalie a introdução e expansão
de alternativas terapêuticas, como a buprenorfina e formulações de longa
duração, seguindo exemplos internacionais considerados mais eficazes na
retenção em tratamento e na redução da mortalidade associada ao consumo
de opiáceos”.A IL defende também a
realização de uma avaliação independente ao atual modelo regional de
tratamento da toxicodependência, incluindo os programas de substituição
opiácea, devendo os resultados ser públicos e apresentados à Assembleia
Legislativa dos Açores.O parlamentar
contextualizou que “mais de 6.000 utentes passaram por programas de
tratamento de comportamentos aditivos e dependências nos Açores, entre
2021 e 2024, estimando-se que cerca de 937 pessoas estejam, atualmente,
integradas em programas de substituição opiácea”.Para
Pedro Ferreira, “a toxicodependência é um problema de saúde pública
grave, complexo e crónico, que exige respostas consistentes, contínuas e
baseadas na evidência científica, e não soluções fragmentadas ou
desiguais entre ilhas”.Segundo Pedro
Ferreira, “não faz sentido que, em várias ilhas, os utentes sejam
obrigados a levar metadona para vários dias devido ao encerramento dos
serviços aos fins de semana e feriados, aumentando riscos de desvio,
consumo indevido e tráfico ilícito”. O
deputado da IL defendeu que “o tratamento deve funcionar diariamente e
com supervisão clínica adequada, tal como acontece em qualquer resposta
de saúde pública séria e responsável”.“O
modelo atual apresenta fragilidades evidentes ao nível da articulação
clínica, da continuidade assistencial e da supervisão pública. É
fundamental garantir uniformidade, controlo clínico e igualdade no
acesso aos cuidados em toda a Região”, afirmou Pedro Ferreira.